Bernardo, mais conhecido como Bob, está cansado da vida que leva. O que ele mais quer é largar tudo e viajar, mas ele escolheu fazer isso de uma maneira diferente: viajando no tempo. Há oito anos, Bob tenta transformar sua máquina de escrever azul-bebê em uma máquina do tempo. Seu esforço é recompensado, pois ele consegue, contudo sua máquina quebra. Desesperado e tentando de tudo para arrumar sua “máquina do tempo”, a vida de Bob vai seguir por um caminho diferente do planejado por ele.

O primeiro ponto positivo do livro é a escrita de Pedro Duarte, que é leve e divertida. Ele consegue com muito bom humor apresentar uma história próxima da realidade de qualquer pessoa que está infeliz em sua vida. Os detalhes de situações do dia a dia vão aos poucos ganhando uma importância que, em um primeiro momento, parecia desimportante para o personagem principal. Aquelas coisas que sempre fazemos, aqueles lugares que sempre vamos, qual a real importância deles em nossas vidas? 

Nestor enfrentou o caos urbano,  gerado pela falta de planejamento e por um sistema que coloca as pessoas erradas em posições de poder, para conseguir chegar em casa.

A ficção científica é o gênero que mais tem ganhado espaço na minha estante e um dos que mais li nos últimos dois anos. O que mais gosto em livros do gênero é o modo como o ser humano é analisado e suas ações questionadas. Tudo isso, lógico, aliado ao mundo tecnológico do sci-fi. Em um primeiro momento, a história de Pedro parece que não vai ter um questionamento muito profundo sobre algo relacionada aos humanos e suas escolhas. Contudo, de forma muito bem elaborada, o autor deixou para o final esse momento.

Com um fim que eu não esperava, me vi, ao terminar a leitura pensando sobre aquilo que Bob buscava para sua vida e o que ele conseguiu/encontrou. Além disso, refleti muito sobre o poder da viagem do tempo, caso ela realmente fosse possível.

Outro ponto positivo no livro são os personagens, cativantes e reais. Bob é um personagem muito persistente e engraçado, infeliz com a vida que leva tudo que quer é sumir para sempre. Ele já está com uma ideia fixa na cabeça há muito tempo, por isso não importa o que digam para ele, ele vai viajar no tempo custe o que custar. Nina, uma repórter de TV frustrada com sua falta de destaque no jornal, acha que achou a história certa ao conhecer Bob e sua máquina de escrever. Adorei o modo de agir dela perante as situações que iam acontecendo. Para deixar tudo ainda mais interessante, Nestor, um escritor que não quer mais escrever, é o responsável por vender as peças que Bob usa em sua máquina.

Além desses, outro personagem aparece durante a leitura. Eu estava muito intrigada para ver como o autor ia apresentar o papel de cada personagem na narrativa e de como as histórias iam ser ligadas. É muito divertido e orgânico o modo como tudo acontece, por isso eu fiquei feliz com essa leitura. Gastaria Tudo em Pizza me ganhou por apresentar uma história com personagens verossímeis, uma trama divertida e uma “máquina de escrever do tempo” que de uma forma diferente fez história.

  • Gastaria Tudo em Pizza
  • Autor: Pedro Duarte
  • Tradução: -
  • Ano: 2019
  • Editora: Pipoca e Nanquim
  • Páginas: 224
  • Amazon

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