Após a Segunda Guerra Mundial, Cyril Conroy conseguiu dinheiro e resolveu entrar no ramo imobiliário. Ele se sai tão bem que consegue tirar sua família da pobreza. Feliz com o império que está construindo, ele acha uma casa que parece mais uma obra de arte, A Casa Holandesa, no subúrbio da Filadélfia, e compra ela para viver com sua esposa e filhos. Essa imponente propriedade assusta de certa forma sua esposa, que fica surpresa e em choque com a aquisição do marido. 

Tudo que aconteceu durante o tempo em que as crianças Maeve e Danny moraram na Casa Holandesa, desde o comportamento estranho da mãe, que acabou indo embora de casa, até a chegada de Andrea, a madrasta “malvada”, vai refletir na vida dos dois irmãos durante anos. Mesmo depois de adultos, já morando em outro lugar, os fantasmas do passado estão sempre presente na vida dos dois. Maeve e Danny vão precisar encontrar uma forma de superar o que aconteceu para seguir em frente sem o peso que carregam a tantos anos.

Você acha que é possível enxergar o passado como ele realmente aconteceu?

A Casa Holandesa parte de uma premissa muito interessante: a relação de dois irmãos com uma casa. É claro que tudo está ligado com a própria relação dos irmãos e dos pais deles. Eu amo livros com tramas familiares, por isso eu sempre fico entusiasmada quando o tema central de uma obra é esse, porém o livro tinha tudo para ser um livro incrível, principalmente por ter a ideia de uma madrasta má. Eu ansiei para ver o impacto dela na vida, tanto das crianças quando do pai delas, que quando isso não aconteceu do modo como eu esperava, fiquei frustrada.

Eu só fui compreender o motivo disso dias depois de terminar a leitura. Danny era uma criança quando Andrea entra para a família, então é normal que seu olhar de criança sobre a história seja mais distante. Apesar de acompanhar os irmãos Maeve e Danny, durante cinco décadas, depois que eles estão grandes, já não há mais o envolvimento com a madrasta.  

A escrita de Ann Patchet é muito interessante, ela apresenta muitos detalhes da vida dos irmãos, o que me passou a impressão, em um determinado momento, que a narrativa ia ser mais acelerada. Contudo ela narra vários acontecimentos de forma mais lenta, e por conta disso em muitos momentos eu fiquei cansada da leitura. Outro ponto relevante é o fato da autora contar praticamente toda a vida dos irmãos, mas deixar perguntas básicas, que foram surgindo conforme avancei na leitura, sem respostas. Isso me deixou muito desapontada, pois eram questões simples, mas que tinham um significado grande para a história. 

A história é narrada por Danny de uma forma muito bonita. Dá para perceber um cuidado e um carinho no modo como ele narra os acontecimentos. É muito engraçado ver que ele sempre foi muito submisso às vontades de sua irmã, e fica claro em sua narração que ele nunca guardou nenhum sentimento negativo pela Maeve, mesmo que a maioria de suas vontades tenha ficado em segundo plano por causa dela. Os capítulos também não seguem uma linha cronológica, Danny narra os acontecimentos conforme ele vai lembrando. Mas a história é dividida em três partes, sendo que cada uma delas acaba em um momento importante na vida dos irmãos.

Maeve é uma personagem de impacto. Ela está presente o tempo todo, seja causando, seja opinando, seja tramando, seja mandando no irmão. Mas ela também é uma criança sensível, amorosa e carente. Quando cresce continua sendo tudo isso, mas agora ele se tornou uma mulher forte. É assim que reparamos que ela era muito solitária, o que influencia muito em sua relação com o irmão. Ela manda e desmanda em Danny o tempo todo, mesmo depois que ele está casado. Eu senti muita falta de saber mais sobre ela, já que ela tem um papel tão importante na história. 

Na terceira parte do livro, a história se perdeu para mim. A ideia da autora foi trabalhar o perdão, contudo o final aconteceu muito rápido, e alguns questionamentos foram deixados de lado, o que é uma pena. A Casa Holandesa é um drama familiar sobre as dificuldades de superar o passado e sobre perdão. A trama é bem elaborada e tem um ar de mistério nas duas primeiras partes, náo funcionou totalmente pra mim, mas pode te conquistar, basta dar uma chance. 

Nós lemos A Casa Holandesa através dos Intrínsecos, assinatura mensal da própria editora. O lançamento do livro esta programado para este mês ainda!

  • The Dutch House
  • Autor: Ann Patchett
  • Tradução: Alessandra Esteche
  • Ano: 2020
  • Editora: Intrínseca
  • Páginas: 345
  • Amazon

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7 Comentários

  • ELIZETE SILVA
    19 agosto, 2020

    Olá! Confesso que estou bem curiosa para conferir essa história, ainda que a autora tenha escorregado um pouco na última parte do livro ou que tenha uma escrita um tanto lenta, acho muito bacana termos à oportunidade de acompanhar os personagens por um longo período de tempo, numa leitura que parece ser bastante intensa, lendo a resenha não consegui simpatizar muito com a Maeve, então espero poder entendê-la melhor durante a leitura do livro.

  • rudynalvacorreiasoares
    11 agosto, 2020

    Eita Letícia!
    Sou madrastra, mas as meninas me chamam de Mãedrasta, nem todas são ruins:(
    Nós temos algo inerente em nossa personalidade que nos abala profundamente quando ‘achamos’ que perdemos algo para uma pessoas que talvez não a merecesse… e em algumas pessoas, isso se torna mais evidente e marcante, trazendo uma melancolia profunda, e acredito que o livro traz esse sentimento tão arraigado de perda.
    Gostaria de conhecer essa escrita carregada de camadas que vamos desvendendo aos poucos esse drama familiar.
    cheirinhos
    Rudy

  • Amanda Almeida
    11 agosto, 2020

    Também adoro acompanhar tramas familiares, mas odeio quando a leitura se torna cansativa, o final é corrido e deixa pontas soltas. Vi muitas pessoas frustradas com isso mesmo. Achei o marcador uma graça e os detalhes do livro também.
    Beijos

  • Amanda Almeida
    11 agosto, 2020

    Também adoro acompanhar tramas familiares, mas odeio quando a leitura se torna cansativa, o final é corrido e deixa pontas soltas. Vi muitas pessoas frustradas com isso mesmo. Achei o marcador uma graça e os detalhes do livro também.
    Beijos

  • Bruna Lago
    10 agosto, 2020

    A frustração é um sentimento tão ruim né? Nós, leitores, sabemos muito bem disso, mas tem alguns livros que a gente espera tanto. Enfim, nunca li, mas já vi algumas postagens sobre esse livro. E até hoje não consegui uma opinião certeira sobre ele, mesmo só lendo as resenhas. Alguns adoram, outros, assim como você, queriam algo a mais. Sou um pouco chatinha com leituras lentas, e não sei se esse livro entraria para a minha lista de leitura.
    3 estrelas tira um pouco do brilho e da vontade de ler, você concorda?
    Abraços

  • aryela_souza
    10 agosto, 2020

    Muitas resenhas que li sobre esse livro tb tem sempre o “mas”, como narraçao fica lentas as vezes, ou poderia ir por um caminho ou acaba decepcionando ali. Mas curiosa ainda estou pela leitura rsrs. Preciso dizer que gosto da capa oficial do livro, mas a cor do livro intrinsecos é maravilhosa!!!

  • Angela Gabriel
    10 agosto, 2020

    Desde que esse livro chegou na caixinha de sonhos da Intrínseca, ele meio que dividiu as opiniões e eu particularmente, adoro quando isso acontece!
    Pelo que pude perceber,a casa não é apenas uma casa, ela é a história.
    Ela precisa estar ali, pois carrega todos os dramas da família e eu só penso que talvez por isso, o ritmo do livro não seja tão frenético e sim, mais parado.
    Eu espero muito ler e gostar!!!!!
    Beijo