Escrito por Lauren Graham, ninguém menos que nossa eterna Lorelai Gilmore, Quem Sabe um Dia é o romance de estreia da atriz, que construiu com base em suas experiências profissionais, uma história leve e engraçada sobre uma aspirante a atriz que está prestes a desistir de tudo.

Motivada pelo amor a arte de representar, Franny Banks deu a si mesma o prazo de três anos para se mudar para New York, se consolidar como atriz e fazer algo que mude a sua vida. Contudo, faltam seis meses para o fim do prazo, e além de pequenos comerciais dos quais não se orgulha, Franny possui um emprego de garçonete que mal dá para sobreviver.

A jovem prometeu que não seria como tantas outras pessoas, que continuam insistindo durante anos, mesmo frente ao fracasso, mas, também não irá desistir tão fácil daquilo que quer. E entre dietas malucas e sua briga eterna com seu cabelo, Franny enfrenta as dificuldades do show business.

-Meu pai, o grande diretor da Broadway Irving Sparks sempre dizia: “Qualquer um consegue sorrir no seu melhor dia. Gosto de conhecer homens que conseguem sorrir no seu PIOR”.

Ambientada com esse universo, Lauren Graham soube explorar bem, em Quem Sabe um Dia, as dificuldades enfrentadas por aqueles que desejam seguir a carreira de ator/atriz. O show business com certeza não é algo justo e muitas vezes privilegia alguns, como vemos na história de Graham.

Acredito que por ter sido construído, utilizando de experiências vividas pela autora, Quem Sabe um Dia possui um caráter bem realista e consegue cumprir com o objetivo a que se destina. Entretanto, talvez, justamente por possuir essa característica, não consegui me envolver completamente com a obra.

Quando assisti a Gilmore Girls, além de virar uma fã da série, fiquei completamente apaixonada pela Lauren. Procurando saber mais sobre a atriz, descobri na época, que ela havia acabado de publicar seu segundo livro, Falando o Mais Rápido Que Posso, uma autobiografia. E obviamente, fã que virei, queria ler os seus dois livros.

Decidi que começaria a leitura pelo seu livro de ficção, uma vez que são raras autobiografias que me agradam, e se gostasse da escrita, buscaria lê-la também. Em meio a tantas leituras, acabei enrolando, deixando para depois e agora finalmente li. Porém, para mim, o livro ficou bem no meio termo. Não possui um ar totalmente de ficção e também, não chega a autobiografia.

Além disso, muitas vezes eu tive uma vontade enorme de gritar com a Franny e tentar acordá-la para as atitudes que estava tomando. Em diversos momentos ela me parecia muito leviana e imatura com as decisões que tomava. Não há como negar que a personagem é gente como a gente, que passa por perrengues cotidianos e faz escolhas idiotas quando a certa está bem abaixo do nariz. Porém, mais de uma vez, eu a imaginava uma mulher com atitudes de adolescente, o que me enfurecia. Talvez se tivesse realizado essa leitura um pouco mais nova, durante minha adolescência, me identificaria mais com a obra.

Li em algum lugar que o pensamento positivo é muito poderoso, e devemos treinar a mente para pensarmos em coisas felizes com mais frequência, em vez de deixar que ela se pergunte por que seu jeans parece apertado ou se você tem o suficiente no banco para o saque mínimo de 20 dólares ou se algum dia vai chegar um momento em que sua vida não será mais medida por saques de 20 dólares. Pense positivo. Pense positivo.

Contudo, tiveram algumas peculiaridades que me chamaram muita atenção no livro e que é preciso ressaltar. Em meio a narrativa, haviam páginas do que seria o diário da Franny, o que além de ser bem autêntico, também muitas vezes quebrava um pouco da tensão do momento com alguns rabiscos divertidos.

Além disso, o nome da nossa protagonista é em homenagem a uma personagem de J.D. Salinger, um dos escritores mais notórios. Sem contar que há outras inúmeras referências incríveis tanto da literatura, quanto do cinema. Acho que isso é um fator que valoriza muito os livros.

De modo geral, apesar de ter me decepcionado com o livro, ainda quero dar uma outra chance a Lauren e ler sua autobiografia. Contudo, acredito que pra quem gosta e tem interesse em livros de Chick Lit, Quem Sabe um Dia pode ser mais atrativo do que foi a mim. Fica a dica!

  • Someday, Someday, Maybe: A Novel
  • Autor: Lauren Graham
  • Tradução: Elaine Moreira
  • Ano: 2013
  • Editora: Record
  • Páginas: 368
  • Amazon

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