Já faz alguns dias que recebi o convite da Darkside Books para entrevistar a autora Veera Hiranandani. Sendo assim, hoje compartilho com vocês a conversa que tive com a autora, onde ela fala sobre algumas curiosidades do livro O Diário de Nisha, lançamento da editora.

Darkside Books

Assim que fiz a leitura antecipada de O Diário de Nisha, minha cabeça ficou em polvorosa com todas as perguntas que eu poderia fazer para autora, pois a história de Nisha ainda representa a realidade de muitos refugiados que precisam começar de novo em um país estranho, deixando tudo para trás, sendo assim, vamos a entrevista!

1 – Como foi retratar essa história da perspectiva de uma menina de 12 anos e quais foram as dificuldades que você enfrentou ao escrever os obstáculos que Nisha e sua família acabou enfrentando?

Meu pai e sua família tiveram que deixar sua casa em Mirpur Khas durante a partição. Eles perderam a casa e a comunidade, mas conseguiram chegar em segurança. Muitas pessoas não. Quando fiquei mais velha, fiquei mais curiosa, fiz mais pesquisas e me perguntei por que nunca aprendi sobre a Partição na escola nos EUA, um evento tão significativo em nossa história global. Quando comecei a escrever, sabia que queria moldar uma história por volta dessa época, mas demorei a me sentir confiante para tentar. Acho que pareceu natural escrevê-la através dos olhos de uma jovem desde que as memórias que ouvi do meu pai eram de quando ele era jovem. Eu queria que fosse sincero para a história, mas não tão doloroso ou violento que um jovem não pudesse lê-lo. Eu sempre quis equilibrar isso.

2 – Em um diálogo entre Nisha e Kazi, você diz que “cozinhar sempre une as pessoas” e, de fato, essa é uma das maneiras pelas quais Nisha se conecta com as pessoas ao seu redor. Qual é a sua relação com a comida e por que colocar essa característica específica no livro?

Eu amo comer e cozinhar e sempre encontrei o meu caminho para a escrita por diferentes razões. O maior motivo é que a comida me ajudou a me conectar com meu próprio background misto. Meu pai é da Índia e é hindu e minha mãe nasceu em Nova York e é judia. Eu sempre digo que as samosas indianas (Chamuça) e a Sopa judaica de bola de matzo (Kneidl) são minhas “comfort foods” favoritas. Para Nisha, eu pensei que poderia ser uma maneira interessante de explorar sua auto-expressão além da fala. Eu também pensei que seria um bom veículo para ela se conectar com Kazi, o cozinheiro da família.

3 – Em seu agradecimento, você diz que sua intenção ao publicar este livro foi uma maneira de lembrar o mundo de todas as pessoas que tiveram suas vidas influenciadas pela Partição da Índia. Na sua opinião, ver este livro chegar em diferentes partes do mundo é um caminho de buscar um mundo mais tolerante e pacífico?

Eu adoraria se o livro tivesse esse efeito. Isso pode ajudar algumas pessoas a falar sobre essas questões, ver sua própria história da família em um livro pela primeira vez, fazer mais perguntas ou ser exposto a uma história sobre a qual eles não sabiam muito. Todas essas coisas podem abir a mente das pessoas, criar curiosidade e empatia se o leitor se conectar com a história.

5 – Por fim, conte-nos o que você espera da recepção dos brasileiros com o seu livro. Compartilhar a história do seu próprio pai, é uma maneira de trocar experiências, conectar-se com os outros e aprender sobre histórias de outros refugiados? Quão importante é isso para você?

Eu não acho que eu tenha expectativas específicas para a comunidade brasileira, mas espero que as pessoas gostem do livro! Adoro viajar, ler sobre culturas diferentes e fazer conexões globais. Estou sempre tentando ampliar meu conhecimento do mundo e é muito interessante ter O Diário de Nisha lido por brasileiros e leitores fora dos EUA. Eu também acho que há muitos aspectos universais da experiência de refugiados que pessoas em todo o mundo podem se conectar.

6 – O que mais me marcou como leitora foi a conexão que Nisha acabou criando com sua família. Devido às dificuldades enfrentadas, ela acabou vendo cada membro da família de uma maneira diferente. Isso resultou em uma simples palavra não dita para sua avó. Nisha chegou a ver o pai dela, sempre rude, com outros olhos e passou a entender melhor seu irmão, que sempre fora diferente. Estes foram alguns dos avanços de Nisha na história.

Quanto da família de Nisha está em sua própria família? E como a história fictícia e real se conecta com os personagens e com o autor?

Sim, Nisha vê sua família de maneira diferente até o final. Acredito que qualquer experiência vinda com a idade, que tire a inocência de uma criança, pode ser dolorosa ou traumatizante, mas também pode dar ao jovem uma perspectiva mais madura. Nisha aprecia sua família de novas maneiras depois de passar por uma jornada tão difícil e assustadora com eles e está mais disposta a aceitar suas falhas e amá-los por quem eles são. Cada um deles é alterado de maneira semelhante. E todos os personagens são em parte eu, em parte pessoas da minha família e em parte imaginação. É um pouco de uma mistura de tudo!

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