April está em um jejum romântico. Ela está cansada de confiar nos caras errados, de se iludir com os pilantras e se envolver com toda espécie de cafajeste existente na cidade de Nova York. Ela está totalmente focada em si mesma e na própria carreira. Ela sabe que precisa lutar arduamente para conquistar um espaço na área que escolheu e de quebra ainda provar para a família que é auto suficiente e que sabe fazer boas escolhas. Após levar um dos desastres amorosos para conhecer os pais e descobrir que ele já era casado e que só a usou, todos os parentes parecem mais do dispostos a arranjar um bom homem pra ela. Agora, às vésperas de um feriado em família, ela está desesperada para encontrar uma maneira eficaz de evitar os encontros arranjados e reafirmar de vez que sua vida não é na pequena cidade Wistful. A solução acaba se tornando mais atraente e agradável do que ela planejara a princípio.

Já que ela precisa de um namorado, mas não quer todos os desgastes que um relacionamento desse tipo traz, nada mais perfeito que arranjar alguém disposto a fingir ser seu par romântico por alguns dias. Acontece que seu melhor amigo deu pra trás na última hora não sem antes indicar um acompanhante de aluguel. É isso. Theo parece o cara perfeito para o papel. Ele é lindo, engraçado e inteligente e ainda cobra um preço justo. E talvez exatamente por isso seja tão difícil estar ao lado dele, fingindo ser sua namorada e isso ser apenas fingimento. Mas April é uma mulher segura de si, e sabe que aguentará fácil essa tentação tão perto das mãos. São apenas alguns dias afinal de contas. Mas Theo não torna as coisas mais fáceis quando é tão atencioso em cada momento, quando a toca com aquelas mãos incríveis ou quando a beija ternamente no rosto na frente da sua família. Talvez fosse melhor enfrentar as casamenteiras sozinha, já que agora ela tem um desafio ainda maior com o qual lidar.


Eu começo essa resenha falando que quase me decepcionei com essa história. Veja bem, quase. Acontece que esse plot incrível tinha tudo para trazer uma história gostosa e divertida para as românticas de plantão como eu. Porém logo no início somos jogados diante de uma tensão sexual instantânea. Meu deus, como assim você vê uma pessoa e já se imagina sem roupa com ela. Talvez eu ainda esteja vivendo no século passado, mas um par de braços musculosos e barriga tanquinho não me faz ter orgasmos mentais tais como os dos personagens dessa história. Fiquei momentaneamente frustrada. Puxa vida Lauren Blakely, eu esperava mais de você depois de Big Rock. Cadê meu envolvimento? Cadê meu romance?

E então no decorrer dos capítulos a mágica acontece. O enredo tem todos os temperos necessários para fazer com que esse casal fique em nosso coração. Leveza, drama na medida certo, sensualidade, e muita fofura. É realmente de aquecer o coração. April é uma personagem engraçada e real. Não possui aquela intensidade teatral comum em algumas mocinhas da ficção. Ela nos é apresentada como alguém decidida e bem resolvida. Sem inseguranças, sem dramas. Apesar das desilusões que já vivenciou, e não foram poucas, ela não é amarga ou melindrada. Ainda existe aquele medo natural de ser enganada novamente, mas ela não faz disso uma tempestade de proporções absurdas. E é tão agradável encontrar uma protagonista que é emocional sem ser fraca. Chega de nos representarem como bobalhonas apaixonadas e sofredoras. Queremos ser as garotas fortes que enfrentam as batalhas, sem enfiar a cara em um pote de sorvete. Mas que são maduras o suficiente para focar em coisas mais produtivas.

Não quero todos esses beijos falsos que me confundem. Que parecem tão reais. Mas quando faço contato com o corpo dele, meus dedos se curvam nos ombros em vez de afastá-lo. Corpo estúpido, tão estúpido que deseja algo que não passa de uma fachada.

E esse é um outro ponto bastante mencionado na narrativa. O amor de April pela própria carreira, e o quanto isso é uma prioridade pra ela mostra que a autora teve todo um cuidado para construir os personagens. Um livro de romance nunca deve ser só sobre isso. Não tenho certeza se o envolvimento de um casal preenche 300 páginas de um livro sem um contexto bem estruturado e interessante. Lauren soube fazer isso e ainda deixar a história interessante. Você acaba torcendo genuinamente para que a família de April compreenda e respeite o caminho escolhido por ela. E é tão perfeito que Theo a admire ainda mais por isso. Existe a tensão sexual que é mencionada logo no início, mas no decorrer das páginas é perceptível que o envolvimento do casal ocorre por muitos outros fatores que não hormônios enlouquecidos. E isso meus caros, é o respeito que uma boa história de amor pede.

Theo é tão perfeito. Onde contrato o meu? Seria ótimo ter um homem desses à disposição. Mais uma vez me vi surpresa ao conhecer um outro lado desse personagem que a principio pareceu tão simplório e estereotipado. Ele é uma linda cebola cheia de camadas que vão sendo apresentadas aos poucos. Ele tem um coração enorme, é amoroso e está machucado. E pasmem! Ele não é um babaca com as mulheres por causa disso. Pelo contrário, ele se certifica de tratar todos com muito respeito e educação. Nada daqueles boys saídos diretamente de Chernobyl. Se apaixonem sem moderação. E ele é legal não porque está sendo pago por isso. Nos capítulos narrados por ele fica perceptível que April não é apenas um pedaço de carne. Ele está encantado por ela, mas também trata toda a família dela com cuidado e carinho. Ele teve uma vida bastante difícil e fez todo o tipo de coisa ilegal para sobreviver e apesar de isso justificar algumas de suas escolhas erradas, ele não se isenta da responsabilidade social pelo que causou aos outros. Sensatez que chama meus amigos. Como não amar?

O período que o casal passa com a família de April é simplesmente incrível. Os detalhes são tão vividos que é quase como estar na pequena e ensolarada Wistful. Todos são tão acolhedores, o lugar é tão convidativo e as atividades tão divertidas que você gostaria de entrar na história só para compartilhar esses momentos mágicos ao lado dos personagens. O envolvimento do casal ocorre em meio à esse contexto e é impossível não sentir vontade de namorar. E gente, eu sou a amarga do amor. Ler esse livro me deu aquele gostinho de começar algo novo e emocionante com alguém e fazia tempo que um casal não me fazia ter isso. Não foi arrebatador ao meu estilo favorito, mas talvez pela leveza tenha me conquistado perdidamente. Sabe quando o dia-a-dia é meio chatinho e monótono e você não vê a hora de sentar para ler aquele seu livro cheio de aventuras? Foi exatamente assim que Lauren Blakely me deixou depois dos primeiros capítulos onde tive aquele probleminha já abordado ali em cima.

Para encerrar gostaria de mencionar que eu fiquei apaixonada por todos os personagens dessa história, que ganharam espaço e atenção. Não há vilões, nem ex namorados insuportáveis, nem parentes tóxicos. O enredo traz um clímax importante, que é bem trabalhado, mas não leva mais tempo que o necessário para se resolver. E graças a Deus. Não tenho mais paciência para desentendimentos que levam 10 capítulos para serem solucionados. Sejam adultos meu povo, cadê a maturidade emocional da galera? A história nos presenteia com um romance saudável e cheio de diálogo e compreensão. Os momentos a dois são a cereja do bolo. Você fica torcendo pelas primeiras vezes. Há química. Há respeito. Há amor. Um brinde às boas histórias que resgatam nossa fé nesse gênero que nos é tão querido.

  • The Real Deal
  • Autor: Lauren Blakely
  • Tradução: Fábio Alberti
  • Ano: 2019
  • Editora: Faro Editorial
  • Páginas: 320
  • Amazon

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