Se até o dia de hoje eu não tivesse me convencido sobre o quão grandiosas são as obras de Lucinda Riley, eu provavelmente o estaria fazendo agora. O que é a escrita desta autora? Que percepção é essa sobre os seres humanos e sua natureza, que capacidade que ela tem de nos aproximar de suas narrativas, de criar identificação, de transformar personagens em pessoas reais, cotidiano em um enredo que não apenas envolve, mas emociona. É talento que transborda, é saber exatamente a mensagem que quer passar, e assim o fazer.
Posy amava sua casa e toda a fantasia que seu admirado pai criava em torno da fauna e flora, principalmente das belas borboletas, que cercavam a propriedade Admiral House. Seu reino encantado, que tinha tudo para ser perfeito se não fosse as constantes ameaças que a guerra trazia. Assim, com o retorno de seu pai para as trincheiras, e com uma mãe que pouco se esforçava para gostar da garotinha de sete anos que Posy era, ela precisa se afastar de tudo que lhe era especial e partir para a casa da sua avô, uma propriedade rural e simples, porém quentinha de amor.
(…) — Às vezes, querida, mesmo quando o coração diz para ir em uma direção, a gente precisa seguir nossa cabeça. Todos precisamos tomar decisões difíceis em algum momento da vida, certo?
Agora, prestes a completar setenta anos, viúva, com dois filhos e dois netos, Posy se revela uma mulher muito mais forte, independente e determinada do que se quer imaginamos quando conhecemos aquela garotinha de sete anos que precisou enfrentar perdas e situações dilacerantes. Posy está de volta a Admiral House, ela se formou em botânica, um feito imenso para uma mulher da época, se casou – ainda que não tenha sido com seu grande amor -, um casamento feliz que lhe concedeu dois filhos. Sam, o filho mais velho e um tanto quanto problemático, frustrado por sua vida empreendedora não andar muito bem e Nick, seu doce e amado filho, um apaixonado por antiguidades que escolheu se mudar para a Austrália há mais de dez anos e a está deixando louca de saudades, saudades essa que está prestes a ser sanada.

Entretanto, não é apenas Nick que está de volta a Suffolk, Freddie, seu primeiro amor e aquele que partiu seu coração sem nenhuma dó está bem diante de seus olhos e desesperado para revelar o segredo devastador que o fez se afastar há vinte anos. O problema é que Posy pode não estar preparada pelo que estar por vir, assim como para todo o turbilhão que irá atingir sua família.
A Sala das Borboletas é muito mais do que um romance, é um livro sobre mulheres fortes, relações familiares, esperança, perdão, amizades, a capacidade de superar obstáculos e seguir em frente. É um retrato cru das emoções humanas e de como cada um lida com as frustrações e perdas ao longo do caminho. O tipo de história intensa que deixa as emoções a flor da pele, que inspiram, emocionam e nos fazem refletir.
Posy era apenas uma garotinha quando a pior notícia que poderia receber chega a seus ouvidos. Toda a sua vida muda a partir daí, e quem deveria ser seu alicerce naquele momento – como em muitos outros -, a ignora e se afasta, deixando a cargo de sua avó, uma mulher forte, inteligente e muito amorosa, o prazer de lhe educar e fornecer todo o amor e amparo que ela precisava. Ano após ano, nutrindo sonhos e expectativas que não cansavam de se frustrar, ela foi se fortalecendo, ocultando suas emoções mais profundas e dando o seu melhor para ser a mulher que pai e sua avó esperavam. Assim, ela se tornou a melhor aluna da escola, entrou na faculdade, casou-se, ficou viúva, se dedicou de corpo e alma a seus filhos e seu jardim amado em Admiral House. A casa que sempre a cercou de amor, que carrega todas as suas lembranças mais felizes, e que agora está em ruínas, precisando de restauração e reformas as quais ela não pode arcar. Vender talvez seja a única opção, mas como abrir mão daquilo que lhe foi palco de tantos momentos felizes, e de toda a história de sua família… mas que também está rodeada de segredos.
É o amor que faz a magia acontecer na vida, Posy. Mesmo no dia mais sem graça, nas profundezas do inverno, o amor pode fazer o mundo se iluminar e parecer lindo como agora.
Que personagem mais maravilhosa, Posy me conquistou desde o início, ainda quando garotinha, cheia de vida, sonhadora e esperta, até quando já adulta, no auge de seus setenta anos, tão sábia e madura, sagaz em suas conclusões e lutando bravamente para não ver sua família ruir. O tipo de protagonista feminina forte, que contagia por sua determinação, por sua bravura e coragem. Assim como, todas as demais que irão aparecer no enredo, cada uma com sua história a contar, com sua luta por fazer, carregando o peso de escolhas e decisões que irão te arrepiar e angustiar.
Eu costumo dizer que os livros da Lucinda Riley não são para serem resenhados e esmiuçados em textos que iremos falar e falar, sem de fato poder falar nada. Suas obras tem como característica principal, essa mescla entre o passado e o presente, carregando gerações, ou como no caso deste livro, a história de uma única mulher. Mas, o que de fato dificulta essa ação de transmitir o que o livro tem a passar, é que todo o enredo é repleto de segredos, tão bem amarrados que por vezes parecem teias que não sabemos onde começa e termina. São histórias que se cruzam, caminhos que se entrelaçam e personagens que precisam contar sua história, ser parte daquilo que está sendo entregue, surgindo do nada e compondo tão perfeitamente a partitura que está sendo cantada. O que quero dizer, é que mesmo tendo sim, um protagonista, o livro vai muito além dele, quase como se fosse uma novela, ou um filme que se passa bem diante de nossos olhos, com várias histórias que acontecem ao mesmo tempo, ainda que em núcleos diferentes.
Um lar não é feito de tijolos e argamassa. Meu lar é aqui, nos seus braços.
Enfim… A Sala das Borboletas, é um baita livro, uma história incrível, que te suga para dentro das páginas desde o primeiro parágrafo. É uma leitura intensa, por vezes densa, carregada de emoções que te deixam com um nó na garganta e olhos lacrimejantes, ao mesmo tempo em que te faz sorrir por algo doce e fofo que aconteceu em contrapartida. Um livro que não tem medo de falar sobre muitas facetas de um relacionamento familiar, suas “obrigações” para com ele, e o desespero por ver aquilo que se findou, e ainda assim, sentir que um novo começo está ao virar da página. É impossível lagar o livro antes de desvendar cada segredo, antes de superar cada reviravolta, e perceber que aquilo que você tinha como certo, era apenas um desvio, uma artimanha da autora para desfocar sua atenção pelo que de fato estava se revelando bem na sua frente.
O que posso te garantir caro leitor, é que você irá se apaixonar e surpreender. Que nada do que foi dito aqui de fato fez jus a grandiosidade e dimensão da obra, que é tão complexa, completa e envolvente. O tipo de leitura que fica em nossos corações mesmo depois do ponto final. Que provavelmente irá te tocar em pontos diferentes do que a mim foram tocados, ou que talvez toque exatamente os mesmos, vai saber? Fica aqui essa super dica de leitura. Se tiver a oportunidade, leia e assim como eu, sinta todo o talento de Lucinda te abraçar.
Até a próxima! Bye.
![]()

- The Butterfly Room
- Autor: Lucinda Riley
- Tradução: Alves Calado
- Ano: 2019
- Editora: Arqueiro
- Páginas: 496
- Amazon



20 Comentários
Parece ser uma leitura daquelas que nos deixa bem emocionados, com lágrimas nos olhos, li um livro da autora e foi assim. Esse segredo desperta muita curiosidade em saber o que vai causar na vida da protagonista. Pelo visto ficou uma história completa sem nada faltando nas explicações, por mostrar uma mulher como a Posy forte e tudo mais da um bom animo a mais na leitura, por não ter uma protagonista que só fica se lamentando.
Olá! Não tem como não querer largar tudo e ir ler esse livro depois dessa resenha hein, e olha que eu nem conheço a escrita da autora ainda, e depois de tantos elogios, estou aqui me questionando o porquê disso, meu janeiro está sendo mais corrido do que eu havia previsto, mas com certeza vou querer reservar um tempo (muito em breve) para me encantar com esses personagens e essa história que é bastante diferente do que eu costumo ler, com uma protagonista para lá de experiente e que pelo visto tem muito a nos contar.
Olá!
Sou bastante atentada em ler os livros da autora, sempre que leio algo dela fico com mais vontade ainda de ler. A trama é muito fofa e envolvente, retratando um drama familiar e situações que qualquer já tenha passado. Quero muito e desejo ler esse livro!
Meu blog:
Tempos Literários
Olá, Lily, exatamente, sempre que lemos ficamos com mais vontade ainda de ler, é um vício do bem kkkkkkkkk Beijos, Biia Rozante
Não conheço essa autora, mas parece que o livro te joga para dentro desse universo. E a ambientação parece ser linda!
Oiiii Veronica, Lucinda é maravilhosa e sim, ela nos puxa pra dentro da narrativa, os cenários são bem explorados e as emoções fluem com naturalidade. Se tiver a oportunidade, leia um dos livros da autora, pode ser que você se encante. Beijos, Biia Rozante
Gosto é algo realmente muito individual haha. Já comecei duas leituras de livros da Lucinda, porém nunca consigo finalizá-las, não me cativam, eu sempre acho muito confusos e com um desenvolver lento. Porém também me questiono se talvez fosse o fato de eu ser muito nova na época que tentei lê-los.
Talvez seja hora de dar uma nova chance 😀
Oiii Ana. Talvez seja a maneira como ela mescla o passado e o presente, porque realmente o enredo vai se construindo com o passar das páginas, então em determinados momentos temos muitas perguntas e questionamentos aguardando as respostas. Se tiver a oportunidade, tente mais uma vez, às vezes é o momento realmente. Beijos, Biia Rozante
Os livros da Lucinda sempre parecem ser com muuuuito drama, e que provavelmente eu va chorar muito kkk. Talvez por isso eu as vezes acho que a vibe dela parece muito do Nicholas Spark, apesar de eu não ter lido nem um nem outro. Adoro essa capa sempre que vejo.
Oiii Aryela, kkkkkkkkkk apesar de termos drama, e alguns livros terem uma angustia, ela não chega a ter enredos como o Spark kkkkkkkkkkkk, mas sim, muitas vezes choramos, porque os livros possuem muita carga emocional e reflexões. Se tiver a oportunidade, leia um dos livros da autora, acredito de verdade que você possa se apaixonar. Beijos, Biia Rozante
Acho muito que eu possa gostar mesmo, bem meu gosto. Ate de filmes gosto de drama, apesar que genero drama é bem relativo, nao necessariamente é só de chorar ne, mas amo!
Ainda não tive contato com as obras da Lucinda. Mas, pela sinopse e resenha, não é a toa que a autora é bastante conhecida e renomada no meio literário! A resenha cativante, assim como a sinopse instigam a querer o livro pra ontem! Adoro histórias que mostram sagas de famílias, pois dá pra sentir de fato a motivação deles por escolher certas ações ou trajetórias. Parece que crescemos juntos. A existência de personagens femininas fortes e sem exageros, marca da autora, contribui pra nos atrair ainda mais à história. Adorei! Obrigada por mais essa indicação mara! Me lembrei de “o reverso da medalha” e “a senhora do jogo “, ambos do Sidney Sheldon. Saga de família “disfuncionais” e com personagens fortes e marcantes.
Olá, tudo bem? Lucinda é incrível, ela realmente consegue nos sugar para suas tramas e nos fazer refletir e até mesmo crescer. Obrigada pelas ficas de leitura, confesso que ainda não tive o prazer de ler Sidney Sheldon. Beijos, Biia Rozante
??Eu que agradeço! As indicações aqui ampliaram meu gosto literário. Fã ?? bj
Nossa, que resenha incrível, fiquei carioquíssima para ler esse livro. Parece ser uma história encantadora, a Posy parece ser uma mulher realmente incrível e de fibra, acho que vai ser impossível eu não me emocionar com a história dela. Ansiosa por essa leitura!!
Oiii Rayane. Se tiver a oportunidade leia sim. Posy é uma personagem incrível, de muita força, desde muito pequena já nos apaixonamos por uma menininha cheia de sonhos e tão inteligente que precisa enfrentar muitas perdas e dor. E quando a conhecemos já adulta a admiração só aumenta. É um livro para emocionar e cativar. Beijoooos, Biia Rozante
Sempre que leio alguma resenha dos livros da Lucinda, a vontade de ler suas obras multiplica! Confesso que alguns das suas obras não me chamam tanta atenção, mas essa em questão aparenta ser encantadora. Além de que, sempre fico curiosa quando personagens que são alma gêmeas, por algum acaso do destino, não ficam juntas, é um sentimento conflitante.
Olá, Bruna. Lucinda é uma autora majestosa, detalhista e capaz de tocar o leitor com suas palavras. A cada novo livro dela me sinto mais encantada e viciada. Sempre querendo mais e mais. Se tiver a oportunidade leia; Beijoooos, Biia Rozante
Que delícia de resenha, meu Deus!!!! Fiquei lendo ela e olhando meu exemplar aqui na estante. Agora vou ter que fazer ele furar a fila..rs
Sou apaixonada pelas letras da autora, nesse jeito único dela de mesclar passado e presente, nos colocando nessa viagem de tempo, sem bagunçar nadinha e ainda assim, nos fazer sentir tudo e mais um pouco.
Se já queria demais ler a obra, agora é preciso que a leia urgente!
Já me apaixonei também por Posy e quero sentir essa gama de sentimentos que ela provocou em você!!!
Lerei o quanto antes!
Beijo
Oiii Angela. Lucinda é incrível né? Ela se tornou uma das minhas autoras preferidas. Amo como ela consegue nos alcançar aqui do outro lado, pegar emoções tão rotineiras e transformar em enredos ricos e viciantes. Acredito de verdade que você irá amar a leitura. Obrigada por seu carinho. Beijoooos, Biia Rozante