Era fim de tarde de 15 de abril de 2019, um dos maiores símbolos católicos do mundo estava ruindo entre as chamas, a capital francesa parou para assistir um dos seus principais cartões postais arder em meio ao céu azul, que sempre serviu de paisagem aos amantes da Catedral de Notre-Dame.

Ken Follett, apesar de ser britânico, galês para ser mais preciso, é um conhecido amante da literatura religiosa, colocando em seus livros elementos dos mais diversos tipos de religião, passeando por diversos cenários e ambientando neles suas obras. Não foi surpresa para ele que ainda na noite de 15 de abril começasse a receber ligações de veículos da imprensa para que falasse sobre o que estava acontecendo com a catedral. No dia seguinte foi perguntado se escreveria algo sobre a tragédia e sua resposta foi: já comecei!

Em pouco mais de 70 páginas, Follett passeia pelas lembranças de Notre-Dame, falando sobre sua história e personagens tão conhecidos, sejam da ficção ou da vida real. Ver o autor falando sobre o livro de Victor Hugo e seu personagem memorável, Quasimodo, é de emocionar a qualquer um, a importância que aquele local tem para a história vai muito além de qualquer opinião religiosa. Seu estilo arquitetônico único, fazendo dela uma referência do estilo gótico, também é abordado de maneira muito fluída e se desenvolve maravilhosamente a cada página, é como se tivéssemos um grande bate-papo com um dos escritores mais famosos do mundo, e ele contando, emocionado, sobre uma de suas maiores inspirações, que acaba de ser abalada de uma maneira indescritível.

Sinceramente falando, nunca gostei muito dos livros de ficção de Ken Follett, inclusive tinha dito que esta seria minha última aposta nele, a última chance que ele teria para me surpreender, e ele conseguiu. Quando comprei o exemplar não sabia que era tão pequeno e que não era um livro de ficção, mas me surpreendi quando o pacote chegou. Mas como tamanho não é documento, Follett finalmente escreveu algo de que gostei muito, mostrando que além de um bom escritor ele é um ser humano que tem emoções e apresenta um posicionamento bem coerente e compreensível, tanto religiosa como politicamente falando.

Falando um pouco sobre a edição, a capa do livro é lindíssima, traz o símbolo da catedral, com um fundo azul deslumbrante. A Editora Arqueiro caprichou em toda sua edição, fazendo a obra muito bela, com fotografias, divisão de capítulos e uma diagramação muito caprichada, um trabalho leve, rápido e digno da obra que está sendo reconstruída na França.

O livro não traz a história da catedral em detalhes, ele é apenas o relato de um entusiasta que, por acidente do destino, é um dos maiores escritores britânicos. É na verdade um texto emocionado, que poderia ter recheado um belo jornal sobre a tragédia, mas é tão maior que uma matéria veiculada na mídia de uma maneira simples seria muito pouco, era necessário um livro inteiro para que a homenagem estivesse completa.

Notre-Dame acaba com as primeiras vinte páginas do próximo livro de Ken Follett, O Crepúsculo e a Aurora, que deve ser lançado por aqui em breve.  Ah, vale ressaltar que, como se já não bastasse um livro único como homenagem para a catedral, Follett anunciou que todo valor arrecadado com a venda da obra será doado para a reconstrução dela. O livro está sendo vendido por um valor bem compreensível para um lançamento e comprá-lo não deixa de ser uma forma de contribuir singelamente com a reforma desse monumento histórico, além de você ter em suas mãos relatos puros de um escritor grandioso, escritos com o calor da emoção, repletos de sinceridade e saídos diretamente do seu coração.

  • Notre-Dame
  • Autor: Ken Follett
  • Tradução: Roberta Clapp e Bruno Fiuza
  • Ano: 2020
  • Editora: Arqueiro
  • Páginas: 112
  • Amazon

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7 Comentários

  • Fernanda Rodrigues Mendonça
    30 maio, 2020

    Olar!

    Sabe, eu nunca me senti muito atraída pelo ken follet. Quer dizer, sim e não. As sinopses parecem muito boas, mas todas as vezes que eu TENTEI ler algo, não rolou, sabe? Aquela química hahhaha
    As minhas tentativas com ele morreram muito antes de eu saber da existência desse livro, então eu com certeza não leria.

    Mas sim, tamanho não é documento. Se nunca leu O Dragão de Gelo ou Canção e Silencio, recomendo muito. São livros minúsculos mas muito bons!

  • ELIZETE SILVA
    23 maio, 2020

    Olá! Ainda não tive contato com a escrita do autor, foi muito triste tudo o que aconteceu a grande Catedral, e mais triste ainda ver a diferença em como o governo tratou a tragédia aqui do Rio de Janeiro no Museu Nacional, enfim acredito que um livro assim tão curtinho pode ser um bom começo para conhecer a escrita do autor, ainda mais porque esse volume já vem com uma amostra do seu próximo livro.

  • Giovanna Talamini
    22 maio, 2020

    Oi!
    Esse livro deve dar um aperto no peito por ter tantas memórias daquele lugar tão bonito. Parece que foi ontem que o incêndio aconteceu, né?!
    Linda a iniciativa do autor de doar o valor das vendas para a reconstrução do local.

  • rudynalvacorreiasoares
    21 maio, 2020

    Bruno!
    Nada como uma grande paixão para nos presentear com uma verdadeira obra de arte sobre a Catedral mais conhecida da literatura e uma das mais bonitas do mundo.
    Deve ser uma viagem sensacional ler as impressões do Ken.
    cheirinhos
    Rudy

  • Awwww :3
    20 maio, 2020

    Voltando para o mudo dos blogs, mas vamos ao que importa… Não conhecia esse livro e tbm o autor não faz tipo de leitura, na verdade nunca li nada dele, eu acho….Mas a sua resenha me deixou muito curiosa, amei sua escrita muito sincera, se eu tiver a oportunidade de ler com certeza vou me lembrar da sua resenha e tentar dar uma chance ao autor.

  • Maria Alves
    20 maio, 2020

    Ainda não li nenhum livro do autor, embora tenho um livro dele aqui casa. Fiquei admirada com a quantidade de páginas desse, devido aos outros que são bem grossos. Deve ser uma leitura prazerosa, saber mais sobre Notre Dame na visão do autor, pena ser uma tragédia o que aconteceu, mas é muito linda a atitude do autor com essa doação.

  • Angela Gabriel
    20 maio, 2020

    Oi Bruno!Quando vi este livro pela primeira vez, já dei um meio susto, pelo autor sempre trazer calhamaços(e eu quase nunca conseguir ler eles) Mas ao contrário, este livro é relativamente pequeno e mesmo assim, traz toda essa importância da Catedral não somente na vida dele, mas também na vida de quem está ali e de todos nós.
    As lembranças do grande incêndio ainda estão vivas em todos nós e infelizmente, nunca será a mesma coisa, pois a história foi destruída e isso ninguém apagará.
    Se tiver oportunidade, com certeza, já quero demais ter este livrinho em mãos!!!
    Beijo