Érica é uma jovem normal que terá sua vida entrelaçada ao destino de cinco núcleos dessa história. Tudo começa quando ela encontra seus pais assassinados dentro de casa. O suficiente para mudar a vida de qualquer um para sempre, certo?
Em Moscou conheceremos dois jovens que sobreviveram a um atentado, no Cairo conheceremos uma ONG que precisa escapar de uma armadilha organizada pela ODTI, a Ordem das Doze Tribos de Israel, um grupo fundamentalista religioso que prega a vingança e a supremacia judaica, contra todos os povos que oprimiram os judeus um dia.

Em Washington saberemos que a filha de um funcionário da casa branca virará moeda de troca para este grupo de radicais e em Pequim temos um filho que procura um pai desaparecido há meses. Todas estas histórias manterão a trama de Érica, dando forma a um enredo com uma narrativa extremamente rápida.
Logo no início do livro acompanharemos fatos históricos que retratam parte da história dos judeus. Que vai desde uma época antes de Cristo até o Holocausto. O contexto é interessante para que entendamos as motivações da ODTI, que dentro de uma ideologia conspiratória, ameaça o mundo com uma terceira guerra mundial. Érica, aparentemente, é o próximo alvo dessa ordem e por este motivo acaba entrando para uma escola de agentes secretos, que lhe dará a força necessária para que ela tome enfim, as rédeas da sua própria vida.
Érica: Relatos de Conspiração é um livro de investigação jovem adulto. E vale ressaltar que a autora Larissa Barros Leal começou a escrever o mesmo quando tinha mais ou menos a idade da protagonista, cerca de 16 a 17 anos. Tendo isso em mente, é surpreendente descobrir como a história se desdobrou dentro de sua cabeça mesmo tão nova. O livro apresenta sua complexidade, revelando substorias que precisam fazer sentido no final, o que a autora acaba atando muito bem.
O livro também é narrado em terceira pessoa, que dá uma visão mais ampla da trama ao leitor, o que é um ponto positivo, visto que não podemos acompanhar a protagonista a todo o momento. Falando nela, Érica é um tanto quanto peculiar e possui uma personalidade bastante forte, que mesmo com a pouca idade enfrenta seus problemas de uma forma determinada. Quanto as subtramas e os personagens secundários alguns cativam mais que os outros, mas moldam a leitura de uma forma envolvente.

Infelizmente, dentro dos capítulos não há um aviso sobre para qual núcleo estamos sendo levados, então isso pode ficar um pouco confuso no começo da leitura, dada a quantidade de personagens. E, devido a idade que a autora começou a escreveu o livro, notei alguns termos sendo usados de uma forma um pouco equivocada que eu acredito que podem ser retirados sem afetar a trama de fato. Um dos poréns com a história se deu pelo intervalo curto dos acontecimentos, que vai da morte dos pais de Érica até o final, este curto prazo entre os acontecimentos não me pareceu verossímil, mesmo quando estamos falando de uma agente secreta adolescente.
Apesar dos comentários, gostei muito da forma como a autora trabalhou os fatos históricos no meio da ficção, fazendo uma crítica a líderes intolerantes, algo muito bacana de se incluir num livro dedicado a um público mais jovem. Trabalhar história e estes temas dentro da ficção é o primeiro passo para educarmos jovens questionadores.
De forma geral, Érica apresentará uma trama amarrada, que falará sobre terrorismo, conspiração e intolerância, mas que também trará o brilho de um protagonismo jovem para a trama. A personagem Érica é uma jovem perspicaz e justiceira, que não poupará esforços para tornar o mundo um pouco melhor. E o final é surpreendente, confesso que já tinha matado a charada um pouco antes, mas fecha a obra com bastante brilhantismo. Recomendo a leitura e agradeço a autora pelo convite de conhecer sua obra.
Dica: é importante fazer um disclaimer aqui, Larissa escolhe falar sobre intolerância religiosa escolhendo o judaísmo como ponto principal e ao longo da leitura fiquei com receio que isso pudesse ser interpretado de uma forma errada. A isso, recomendo uma leitura sensível para a autora.

- Érica
- Autor: Larissa Barros Leal
- Tradução: -
- Ano: 2017
- Editora: Talentos da Literatura Brasileira
- Páginas: 253
- Amazon



11 Comentários
Fiquei bastante curioso com essa história e com a forma que a autora conecta todos os núcleos presentes no livro. Érica me chamou a atenção principalmente pelos seus pontos misteriosos e investigativos. Pensei sobre a forma de narrativa e logo veio a explicação que não há explícito nos inicios de capitulos, o que imagino me deixando sempre perdido no começo de um novo capitulo. Adicionei a wishlist!
Olá! Fiquei aqui tentando criar umas teorias de como a autora fará para ligar a protagonistas a tantos cenários diferentes, com certeza vai para a lista de desejados.
Gostei da determinação da autora, nunca esquecer seu objetivo. Gostei da história, agrega muitos assuntos, isso é bem legal. Mais um livro para ler futuramente.
Olá Joi!
Gostei de conhecer a autora, realmente escrever um livro desse gênero tão jovem é um desafio e tanto. Fiquei confusa mesmo com tantos personagens e confesso que não vejo como eles podem se encontrar em algum momento, sendo assim tão diferentes. Nem imaginava que a trama seria tão complexa. Os assuntos abordados são bem atuais, o que enriquece ainda mais a história. É normal a gente querer usar palavras mais sofisticadas na escrita mas é importante ter em mente o contexto e não jogar a esmo como a autora fez, mas nada que não possa ser concertado numa próxima edição.
Beijos
A protagonista é bem destemida, daquelas que impressiona. Apesar do começo confuso, depois parece que a história vai se desenrolando com um melhor entendimento, gosto quando envolve os Judeus, sempre aparece algo novo. Gosto muito desse clima de mistério e investigação ainda mais que o final surpreende, espero poder conferir esse livro.
ola .não conhecia esse livro .que bom que a autora se saiu bem escrevendo sobre temas como terrorismo intolerancia religiosa e conspiraçao mesmo sendo uma autora tão jovem .
espero conhecer sua escrita
Que genial!! Amei a ideia do livro, principalmente por envolver tantos temas importantes. Além disso, adorei o envolvimento de personagens de diversas partes do mundo, o que torna a visão de cada um bem diferente. A protagonista me pareceu bem corajosa e valente, o que já conta muito pra mim hahaha Amei!
Joi!
Confesso que pelo título do livro, jamaais imaginaria uma história tão inspirada e com pano de fundo aravés de histórico real, mesmo sendo uma ficção adolescente.
Imagino o quanto a personagem seja destemida.
E mesmo com suas observações, fiquei curiosa.
cheirinhos
Rudy
Ola Joi!
Nossa, desde muito cedo a autora mostrou o que queria, né? Realmente parece ter nascido com o dom da escrita.
Mesmo com essas pequenas ressalvas, a obra com certeza parece ser um ótimo livro do gênero, contendo todos os elementos importantes para fisgar o leitor, que quer saber sempre mais.
Gosto desse clima conspiratório e de suspeitas que permeiam a trama, ao melhor estilo Homeland. E os fatos históricos acrescentam a devida profundidade para embasar o enredo, sem contar que expandem nossas conhecimentos sobre os judeus.
Beijos.
Feliz por um livro nacional ser tão interessante, gostei de terem vários locais e abordar assuntos tão complexos, ainda mais ela tendo começado a escrever tão nova. Boa observação a sua! Não tinha pensado por esse lado, é realmente importante que esses assuntos estejam sendo apresentados no livro, visto que seu público alvo também é “mais novo”.
Apesar de ter achado a proposta bem legal, não despertou tanto meu interesse.
Beijos,
Amanda Almeida
Eu fico tão feliz quando posso conhecer novos trabalhos nacionais!
Ainda não tinha lido ou visto nada sobre este livro, mas amo um cenário assim, juvenil e com descobertas e assuntos polêmicos misturados.
Com certeza, já vai pra lista de desejados com certeza!!
Beijo