Minha memória em relação a O Máskara sempre foi pautada pelo filme de 94. Mas apesar do filme ter sido um marco, minha memória mais vivida é da animação de 95, voltada mais para o público infantil e que apresentava um personagem com um “quê” mais de herói cômico do que qualquer outra coisa.

Este meu olhar mudou quando finalmente conheci o quadrinho que deu origem as duas mídias. A série de quadrinhos, lançada no final dos anos 80, revela um Máskara completamente diferente. Aqui temos uma máscara de origem vudu e ao contrário do que imaginava, a presença de Stanley Ipkiss, eternizado por Jim Carrey nos cinemas, é muito breve nos quadrinhos. Basicamente ele é apenas uma das diversas pessoas que tem acesso a realidade mágica que só a máscara proporciona para seu usuário, que poderão viver seus desejos mais sombrios sem terem medo das consequências.

Sendo assim, O Máskara criado inicialmente por Mike Richardson é um quadrinho adulto, violento e bastante gráfico. Uma surpresa agradável, pois revela uma nova faceta para quem o que conhecia apenas através das adaptações assim como eu.  Os quadrinhos se tornaram populares após John Arcudi e Doug Mahnke colocarem as mãos no projeto e criarem novas aventuras, com direito a novos personagens e ainda mais ação. Esta é a edição que temos em mãos através da Pipoca e Nanquim, que possui as três minisséries, O Máskara, O Retorno do Máskara e O Máskara Contra-Ataca, em um único volume.

Sendo a máscara a grande protagonista, capaz de conceder habilidades de um personagem de desenho animado a alguém, é impossível não fazer certas comparações em acontecimentos chaves da leitura com as adaptações. É interessante perceber como o conceito está lá, mas num contexto bem mais brando do que no quadrinho. Assim temos a cena em que O Máskara faz uma metralhadora a partir de um balão e até menção a frase icônica “Mas primeiro…” traduzida aqui de uma forma diferente.

Acho que a mudança se deve a esta desassociação da imagem de herói engraçado das adaptações para o psicótico nonsense do original. Sendo isso ou não, aqui teremos tramas que envolverão todas as personalidades que passarão pela máscara, o envolvimento da polícia, da máfia e até a presença de um vilão a altura do personagem em uma aventura bastante violenta e arrasadora. Porém, se fizermos uma análise mais minuciosa de todas as mídias para esta história, todas destacam este poder destrutivo que a máscara tem em relação aos seus usuários. Todos tem seu lado mais cruel e egoísta dentro de si expostos, fazendo com que os mesmos sejam corrompidos por este poder.

De modo geral, a leitura deste quadrinho foi muito atrativa, curiosa e até um pouco nostálgica. Adorei saber a verdade por trás de um personagem tão icônico e presente de certa forma na minha infância/adolescência. O que poderia ser um choque acabou deixando o personagem ainda mais interessante. Se você curte uma dose de insanidade, humor e violência esta é a leitura indicada pra você. A editora tem acertado muito nas suas escolhas e com esta edição não foi diferente, indico muito!

Falando sobre algumas curiosidades sobre o personagem, o mesmo é mais conhecido como Big Head do que O Maskára em si. Esta mudança só aconteceu depois do lançamento do filme, que acabou apresentando o personagem para o grande público. Falando sobre a origem do personagem, ele foi inspirado na união de personagens como O Rastejante e O Coringa.

Mas e vocês? Conheciam o verdadeiro Máskara? Ou saber sobre o quadrinho foi uma surpresa assim como foi pra mim?

  • The Mask Omnibus
  • Autor: John Arcudi e Doug Mahnke
  • Tradução: Bernardo Santana
  • Ano: 2020
  • Editora: Pipoca e Nanquim
  • Páginas: 380
  • Amazon

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