Meus estilos favoritos literários sempre foram suspense, policial e terror. Entretanto, quando leio livros muito pesados em sequência, preciso de uma pausa. E assim, fui me apaixonando pelos romances de época e também os new adult. Em algumas fases da minha vida, lia apenas isso, e tenho achado extremamente prazeroso acompanhar e entender as mudanças no meu gosto literário. Hoje consigo enxergar com clareza por que alguns livros fluem melhor que outros, e também a necessidade que venho sentindo em ler livros com mais conteúdo (lembrando que estou falando do meu gosto). Auto avaliação que eu não conseguia fazer no passado: se não conseguia desenvolver a leitura de determinado livro ficava chateada e chamava de “ressaca literária”.

Na fase em que eu lia predominantemente new adult, devorei quase tudo que Colleen Hoover escreveu, e sempre gostei muito. Apesar de ser um gênero que não foge muito do padrão, sempre achei suas histórias muito envolventes, e com detalhes intrigantes que fazem toda a diferença, quando comparados com outros autores do gênero. O tipo de livro que se lê em 1 dia! Quando surgiu a oportunidade de ler Layla aqui para o Estante, fiquei super empolgada. Iria revisitar uma autora muito querida, e justo em um momento que precisava dar aquela pausa que falei no início dessa resenha, lembram? Eu vinha de uma sequência de livros muito pesados, e precisava ler algo confortável e fácil. Tive um surpresa com esta leitura, e não foi muito positiva. Colleen ousou, e este livro é diferente de tudo que ela já escreveu.

Leeds recebeu uma bolada de herança, e pode levar uma vida confortável. É músico, e tem talento de sobra para fazer carreira solo, e mesmo assim, é integrante de uma banda não muito famosa, e não muito boa. Nem mesmo ele sabe porque continua na banda, provavelmente seja para preencher o vazio que sente quando está sozinho. Como o resto da banda passa viajando e fazendo apresentações por todo país. O evento desta noite é um casamento, realizado em uma linda pousada. A sua empolgação é a mesma de sempre para a apresentação – zero – mas tudo muda quando ele a vê dançando.

Depois que Leeds vê a estranha misteriosa dançando sozinha na frente do palco, não consegue mais desviar o olhar. Não porque ela estava dançando bem, pelo contrário, a garota dançava espalhafatosamente mal. Não era possível alguém dançar daquele jeito, e a distração transformou a apresentação com a banda de tediosa para interessante. Após o show, Leeds encontra a moça na piscina, e não resiste em iniciar uma conversa. Trata-se de Layla, irmã da noiva. O espírito aventureiro e livre de Layla instiga Leeds, e logo ele percebe que nunca sentiu nada parecido por nenhuma outra pessoa. Os dois se tornam inseparáveis, planejam o futuro, e sabem que encontraram no outro, a pessoa com quem querem passar o resto da vida.

Um evento inesperado muda os planos dos dois. Layla foi gravemente ferida, e fica semanas internada no hospital. Quando recebe alta, Leeds percebe que ela ficou com significativas sequelas emocionais. Sofre de ataques de pânico, não consegue se alimentar corretamente com medo de mudanças no corpo, tem mudanças bruscas de humor, sofre de perdas de memória e precisa de medicações fortes o tempo todo. Pensando em uma forma de ajudar Layla a se recuperar, Leeds resolve passar algumas semanas na pousada em que os dois se conheceram. Na pousada, Leeds pouco a pouco vai se distanciando emocionalmente de Layla, e se aproximando de outra pessoa, e a culpa vai tomando conta dele, dia após dia.

Quando disse que Colleen Hoover ousou neste livro, foi por incluir suspense na história. Ela continua no chão dela, o romance new adult, amores conturbados ou impossíveis, mas o foco da história mudou. Na metade da leitura estava extremamente desgostosa com o livro, pois como livros suspenses são os meus favoritos, sou bem exigente e criteriosa com as histórias, e para o caminho que ela estava conduzindo, eu não estava gostando.

Foi aí que tudo mudou! Fui pega de surpresa com o terço final do livro, e Colleen conseguiu mais uma vez me prender, como aconteceu diversas vezes nos seus livros anteriores. Fiquei feliz por não ter abandonado o livro – eu tenho essa mania quando não estou gostando – pois o final foi bem surpreendente, e melhorou muito a minha opinião. Ainda prefiro que os próximos livros que ela escreva sejam no seu estilo base, mas sem dúvida Layla é um livro que merece ser lido, afinal, estamos falando de Colleen Hoover.

  • Layla
  • Autor: Colleen Hoover
  • Tradução: Priscila Catão
  • Ano: 2021
  • Editora: Galera Record
  • Páginas: 368
  • Amazon

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