Harry Hole está de volta, desta vez não em um novo volume de sua série, mas no relançamento dos primeiros livros. Já são 12 livros lançados no Brasil de sua história, iniciada em 1997 com O Morcego, sim, ainda no século passado.

A Casa da Dor é o quarto livro desta série, seu enredo se passa após o confronto de Hole com o temível Garganta Vermelha, e desta vez a trama do livro anterior vai mexer bastante com o enredo de sua sequência, até mesmo o assassinato ocorrido em Garganta Vermelha é extremamente presente dentro do roteiro do livro, então, leia antes o terceiro livro da trama.

No quarto livro da saga de Harry vamos ver o bon vivant policial se meter em uma grande enrascada. Depois de uma noite regada a trago com sua ex-namorada Anna, aproveitando que a atual namorada, Rakel estaria viajando, acaba à traindo, o problema é que quando ele acorda não lembra de nada, não consegue saber o que tinha feito na noite anterior, e as coisas pioram quando o Anna, a ex, é encontrada sem vida, e provavelmente a última pessoa a vê-la com vida tenha sido o próprio policial. Será que ele se descontrolou a ponto de assassiná-la?

O pior será tentar descobrir o que houve com ela sem se prejudicar, nas mais diversas escalas disto, já que até o seu relacionamento amoroso estará em jogo.

Para quem conhece a série sabe a maneira completamente ambígua com a qual o personagem principal pode ser interpretado e visto pelo leitor, já que ele não passa nenhuma confiabilidade ou possui qualquer tipo de caráter, podendo ter diversas atitudes condenáveis pelo leitor, que, ao mesmo tempo precisa confiar nele para que o caso seja resolvido, ou torcer que ele seja preso logo, já que é o principal suspeito.

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Outro ponto interessante da história é a relação que Hole nutre com os outros personagens, sejam eles policiais ou pessoas de seu convívio pessoal, ele será caçado e precisará confiar em pessoas que ele não irá saber se irão realmente estar ao seu lado durante 100% do tempo. O que gera um sentimento muito estranho em quem lê, por que se por um lado você torce para que ele prove sua inocência e chegue no verdadeiro culpado, por outro, você vê ele colocando pessoas que não tem nada a ver com sua história em risco, principalmente por saber que tais acontecimentos são produtos da sua falta de respeito e comprometimento com tudo que cerca sua vida.

Além disso temos uma maravilhosa ambientação, já característica da série, colocando o leitor no meio da neve, sentindo o frio nórdico invadir as páginas, e toda aquela ação desenfreada, com detalhes ácidos e penetrantes, que fazem quem lê ficar com o estômago embrulhado a cada novo crime que aparece em seu desenvolvimento.

Por falar em desenvolvimento, talvez este seja o livro da série onde existam mais detalhes desnecessários à trama, muitos assuntos são abordados, mas depois acabam não fazendo nenhum sentido à história em si, e outros são extensamente descritos e poderiam ter sido resumidos drasticamente, diminuído o número de páginas do livro ou tornando-o mais dinâmico. Um exemplo disto são os encontros que Hole tem com um presidiário, que gosta de falar com o policial sobre Sun Tzu e “A Arte da Guerra”, dando uma visão interessante do tão famoso livro, mas que poderia ser bem mais resumida. Por outro lado sempre existe aquele tio chato, que quer parecer inteligente e fica falando horas sobre um assunto que deveria levar apenas cinco minutos, e essa chatice ser transportada do livro para o leitor pode ser interessante, mas é também muito perigosa, a chance da história ficar repetitiva ou modorrenta é enorme.

O livro também entrega alguns detalhes curiosos e que são bem originais para seu estilo literário, o Brasil, por exemplo, é cenário de uma parte bem importante para a história, e ver nosso país em um livro nórdico é muito legal, outro ponto são diversas palavras e termos desconhecidos que são não só citados na história, mas também explicados e têm grande importância para a trama. Você sabe o significado de Distomia? Pois é, pode aprender junto com Harry Hole.

Gosto do estilo de livros que Jo Nesbo escreve e a série de Hole é uma das melhores da atualidade. Uma de suas características que eu mais valorizo é o fato de não envolver a investigação de apenas um crime, vários assassinatos e coisas acontecem em meio a história, muitas não tem ligação alguma com o enredo principal, mas isto passa verdade para o livro, já que policiais nem sempre cuidam apenas do mesmo crime, e raramente um crime estará ligado ao outro, mostrando como pode ser caótica a vida de quem presta este tipo de serviço à sociedade, entregando um realismo raro de ver na literatura.

A Casa da Dor é um bom livro, longe de ser o melhor da série, talvez seja inclusive o com mais “barriga” nela, mas é indispensável. Tem um final muito instigante, preparando o leitor para o livro seguinte, chamado A Estrela do Diabo e mantém no leitor a difícil missão de seguir e apoiar um cara como Harry Hole.

E aí, você já conhece a série? Gosta do detetive? Me conte sua opinião sobre Harry Hole e sua saga.

  • Sorgenfri
  • Autor: Jo Nesbo
  • Tradução: Grete Skevik
  • Ano: 2021
  • Editora: Record
  • Páginas: 476
  • Amazon

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