Elsie e Ben se apaixonaram e em pouco tempo já estavam casados. A felicidade desse momento é interrompida semanas depois quando Ben morre em um acidente. Elsie, destruída e em processo de aceitação do luto, vai precisar lidar com a sogra que não conhecia e que não sabia que seu filho estava casado. Além disso, nesse momento delicado, Elsie precisará olhar seu passado para conseguir seguir em frente.

Como uma boa fã de Taylor Jenkins Reid, eu não podia deixar de ler Para Sempre Interrompido, primeiro livro escrito pela autora, mas lançado somente em 2021 pela Paralela. É muito importante fazer a leitura sabendo disso, pois estamos acostumados com a escrita da Taylor escrevendo histórias, como Os Sete Maridos de Evelyn Hugo ou Amor(es) Verdadeiro(s). Aqui, fica claro tanto pela trama quanto pela escrita da autora que ela tinha uma caminho como escritora pela frente. O livro não é ruim, longe disso, é somente clichê e possui uma trama semelhante a outros livros do gênero. Eu mesma já tinha lido livros com esse plot de casal recém casados em que o marido morre e a esposa precisa viver seu luto e aprender a seguir a vida sem seu amor. 

Mas dito isso, Taylor consegue trazer um diferencial a sua história: o fato de serem recém-casados faz com que Elsie ainda não tenha a certidão de casamento, ela não chegou pelo correio ainda. Então, ela não pode provar que era casada com Ben. Para ajudar, o esposo não tinha um bom relacionamento com sua mãe, sendo que fazia algum tempo que não falava com ela. Assim, ao descobrir que o filho morreu e, no mesmo momento, que ela tem uma nora, a mãe de Ben tem dificuldade de aceitar essas duas realidades.

“Durante a vida acontecem coisas que jamais poderíamos imaginar. Mas o tempo vai passando e te mudando e aí os próprios tempos mudam, e quando você vê está vivendo uma vida que nunca pensou que fosse possível”.


É a partir dessa problemática inicial que vamos acompanhar, mesmo que Elsie seja a protagonista, duas mulheres em fase de luto e que mal se conhecem, precisando lidar com a dor da perda. Esse foi o ponto que mais gostei do livro, pois é um momento delicado e cheio de sofrimento. Então, fica a pergunta: como sofrer ao mesmo tempo que precisa lidar com outra pessoa que você nunca viu, mas que era importante para seu marido/filho? Eu gostei muito da interação das duas desde o começo, pois vi que muitas questões iam ser trabalhadas a partir dessa relação. O mais importante aqui, acima de tudo, é que uma vai ajudar a outra a superar o luto da maneira que elas menos imaginam.

A escrita da Taylor é muito fluida e gostosa, e a narrativa, intercalando passado e presente, ajuda para uma leitura rápida. Esse resgate do passado é muito importante, pois é a partir dele que a Elsie vai compreender tudo que passou nos últimos meses com Ben, refletir sobre o que eles poderiam ter vivido no futuro, mas compreender que, mesmo com a saudade, ela precisa seguir em frente (o que não vai ser nada fácil).

É um misto de emoção ler este livro, pois eu fiquei muito feliz ao ver como foi a relação deles logo de início, a energia deles juntos, a conexão, a alegria dos momentos. Mas depois eu fiquei com o coração apertado ao ver o sofrimento da Elsie. Não há sentimento de culpa na trama e isso é muito importante, pois é normal sentir culpa num momento desse quando estamos, de certa forma, no contexto do acidente. É sempre muito complicado, no momento de dor, compreender que acidentes acontecem e que o “destino” é quem comanda.

Taylor faz uso de outra personagem para dar suporte ao sofrimento da protagonista. Ana, sua melhor amiga, está ali o tempo todo. Eu gostei muito dela, pois ela sabe como agir em cada momento, em cada etapa. Ela é a que mais “sofre” nas mãos da Elsie, que sem aceitar o ocorrido desconta toda sua dor na amiga. Como uma boa amiga, Ana, está ali custe o que custar, pois ela sabe que a presença dela é necessária. Eu gostei muito dela, pois ela é sensata, inteligente, calma e compreensiva.

A autora mostra desde o primeiro livro que tem o dom em escrever personagens reais e de fácil identificação. Tanto a protagonista quanto as duas personagens que estão mais próximas dela têm suas questões e são apresentadas de forma muito coerente. É muito impressionante como eu fico muito comovida quando o tema trabalhado é focado na parte familiar. Eu gosto de refletir e me colocar na situação daquelas pessoas, e por isso gostei muito da trama envolvendo a mãe do Ben. Acaba que Elsie ganha uma nova amiga e uma mãe. 

Taylor Jenkins Reid, em Para Sempre Interrompido, pode não trazer a história mais original, mas toca em nosso coração ao trabalhar assuntos tão doloridos como amor, luto e superação. Momentos de felicidade são interrompidos quando a gente menos espera, e só nos resta aceitar e seguir em frente.

  • Forever, Interrupted
  • Autor: Taylor Jenkins Reid
  • Tradução: Alexandre Boide
  • Ano: 2021
  • Editora: Paralela
  • Páginas: 304
  • Amazon

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