Não consigo me lembrar se alguma vez já comentei esse detalhe de minha existência com vocês, mas a verdade é que eu sempre tive uma quedinha por ficção científica. Acho incrível como esse gênero é capaz de nos surpreender, adoro descobrir mundos novos, ou, quem sabe, uma nova versão do mundo que estamos tão acostumados a observar todos os dias. A ficção científica pode não ser o gênero literário que mais leio, e nem sei se conseguiria manter minha sanidade lendo apenas um estilo, mas com toda a certeza é um gênero que sempre está presente nas minhas leituras e já me agraciou com descobertas maravilhosas e favoritos para se guardar no coração.
Não poderia ser diferente, e também não esperava menos de Gigantes Adormecidos. Quando essa obra surgiu dentre os lançamentos da editora Suma de Letras eu fui fisgada, cai de amores, precisava saber mais e ao mesmo tempo não saber mais nada sobre a obra. A capa do livro me cativou, me encantou, me deixou extremamente curiosa, mas tudo o que pude fazer com tamanha emoção foi ler de relance a sinopse, pois mesmo com o pouco que li, minhas expectativas subiram, meu amor por ficção científica aflorou e eu não via a hora de me jogar de cabeça nessa história que valeu muito a pena!

Agora, e aí é que está o golpe de mestre, se fossem projetados para reagir especificamente ao argônio-37, os artefatos só seriam descobertos quando a civilização humana aprendesse a libertar o poder do átomo.

A trama de Gigantes Adormecidos se inicia quando, num passado não muito distante, a então PH.D Rose Franklin, mas que naquela época era uma simples e alegre criança, sai de casa no meio da noite e segue para a floresta próxima de sua casa. Andando pela floresta ela acaba por cair em um enorme buraco, perfeitamente “escavado”. Sua posição ao cair foi precisa, exata e significativa, bem ao centro de uma enorme mão metálica que emitia uma mágica e bela luz turquesa. Desde o incidente, desde o surgimento da misteriosa mão metálica, Rose Franklin cresceu, amadureceu, estudou e seu caminho voltou a cruzar o da peça metálica.
No momento em que a narrativa toma rumo, quando o pequeno incidente do passado nos foi mostrado e estamos prontos para seguir em frente, nós seremos apresentados ao projeto de estudo da mão, encabeçado por ninguém mais, ninguém menos do que Rose Franklin. Após diversos estudos e teorias, ela chega à conclusão de que outras partes, de um mesmo corpo, estão espalhadas pelo globo terrestre. A doutora, elemento importantíssimo ao longo da trama, tem absoluta certeza de que todas as peças serão encontradas, e ela possui uma teoria acertada de como localiza-las e recupera-las.
Após as direções apresentadas por Rose, o personagem sem nome, entidade maravilhosa, enigmática, poderosa que surge de tempos em tempos ao longo da trama, inicia uma busca por pessoas capacitadas e experientes, capazes de assumir as buscas pelas peças. De suas buscas surgem Kara Resnik e Ryan Mitchell, dois experientes pilotos de helicóptero que trabalhavam para o exército e se arriscam na tarefa de integrar o time de resgate e localização das outras peças. Juntamente desses personagens, surge Vincent Couture, um jovem linguista, extremamente inteligente, designado para a árdua tarefa de decifrar os símbolos encontrados próximo a mão. Com este quarteto fantástico formado, a história só melhora e a trama ganha força.

Se o Onze de Setembro tivesse acontecido vinte anos antes, o país mergulharia no caos, mas as pessoas já viram coisas ruins demais na televisão, por isso estão preparadas para quase tudo.

Gigantes  Adormecidos é uma caixinha de surpresas! Nas palavras que acabei de escrever está a premissa básica da obra, e acreditem quando digo que nada do que disse chega aos pés da obra completa. Minhas palavras não chegam nem perto do que nos espera silencioso, aguardando e vibrando de expectativas nas páginas desse livro. A partir do surgimento de uma única peça, de uma mão metálica bela e enigmática, o autor nos conduz de maneira brilhante por acontecimento atrás de acontecimento, por surpresa atrás de surpresa, por emoção e mistério atrás de emoção e mistério.
Uma vez inciado o livro, o leitor não poderá cometer o sacrilégio de larga-lo por um momento que seja. A escrita de Sylvain Neuvel é tão acertada que não perde o ritmo em momento algum. O autor conseguiu dosar de maneira brilhante os elementos de suspense, as informações de pesquisa e aqueles detalhes que amamos em uma boa ficção científica, e ainda conseguiu arranjar espaço para inserir, sem ficar chato ou maçante, um triangulo amoroso à trama. Através do sistema de arquivos, a história de um corpo metálico, deixado na terra anos atrás, nos é apresentada. Com uma linguagem simples e acessível qualquer um pode, e deve, se lançar nas maravilhas da ficção científica. E que ficção científica! A obra é assim, instigante, maravilhosa, fresca e iluminada por uma belíssima luz turquesa em meio a uma imensidão de livros iguais.

Porém, em vez de ficar choramingando pelos cantos por todas as guerras que nunca acontecerão, sugiro que reze para o Deus em que acredita e peça para que nunca seja preciso usá-la.

A história promete e cumpre, e ainda nos deixa com um gostinho de quero mais. Agora preciso deixar aqui o meu pedido para que a Companhia das Letras publique a continuação dessa história, pois a minha intuição estava certa e meu mundo não será o mesmo se não puder descobrir o que vem a seguir.
Gigantes Adormecidos é aquele tipo de obra em que não se pode comentar muito, não se pode abordar muitos detalhes, pois cada detalhe revelado pode fazer com que a magia do livro se evapore. A obra é instigante, prende o leitor do começo ao fim e o melhor (só eu penso dessa forma?) é que quanto menos se souber sobre a história, maior serão nossas surpresas, melhor a obra se apresentará aos nossos olhos. Foi difícil escolher as palavras para escrever essa resenha, mas os segredos de Têmis devem permanecer intactos, o leitor deve se jogar na narrativa, e só então realmente entenderá a amplitude disso tudo.

  • Sleeping Giants
  • Autor: Sylvain Neuvel
  • Tradução: Michel Teixeira
  • Ano: 2016
  • Editora: Suma
  • Páginas: 306
  • Amazon

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