Grace tem 16 anos e acabou de ter uma filha. Durante a gravidez ela decidiu que ia dar o bebê para adoção, então fez uma pesquisa e achou os pais que considerou os melhores para criar sua filha. Todo esse processo não foi fácil, pois além de Grace também ser adotada, o pai de sua bebê decidiu cair fora e sua melhor amiga também a ignorou. Assim ela só tem os pais dando-lhe apoio. Depois de passar por todo esse doloroso processo, Grace decide que vai procurar sua mãe biológica, mas o que ela não imaginava é que logo de início ia descobrir que tem dois irmãos que também foram deixados para adoção.

Com essa descoberta em mente, a adolescente decide procurar os irmãos, e quem sabe juntos irem descobrir informações sobre a mãe deles. Maya mora numa casa bem estruturada, tem pais que a amam, mas se sente diferente da família adotiva, Joaquin nunca foi adotado e passou toda sua vida passando por lares temporários. Mas agora ele vive com um casal muito atencioso e cheio de amor para dar. Os três irmãos que foram separados na infância vão descobrir juntos, o poder do amor fraternal e um pouco mais sobre si mesmos.

Eu amo livros que tratam sobre o tema familiar. Normalmente esse tipo de leitura me faz refletir muito e me deixa muito emocionada. Apesar de saber um pouco sobre a história através da sinopse, eu não imaginava que ia me envolver tanto com a história de Grace e seus irmãos. Sempre que o assunto é adoção, eu me pergunto qual seria o motivo de alguém querer conhecer os pais biológicos, principalmente quando se tem pais adotivos carinhosos e presentes. Eu acredito o quão doloroso deve ser pensar que foi abandonada, mas também acredito que a relação entre um filho adotivo com os pais biológicos deve ser, na maioria das vezes, muito bonita. É claro que eu tenho consciência de que nem tudo na vida das pessoas são flores e que muitas vezes precisamos de respostas para conseguir seguir em frente. Eu fico somente na especulação sobre esse assunto, pois não tenho nenhuma pessoa próxima de mim que tenha sido adotada. Por esse motivo gosto de ler sempre que um livro aborda essa questão, compreender melhor todos os lados de uma situação é sempre a melhor opção.

É exatamente isso que uma família é, Joaquin. – Gritou Maya. – Isso significa que não importa para onde você vá nem a distância, você ainda é parte de mim e de Grace e nós ainda somos parte de você também.

Sempre que o assunto é família, deve-se ter um cuidado muito grande ao julgar o que se está vendo ou lendo, pois há muitos tipos de família. Assim como qualquer relacionamento, o familiar também pode ser complicado em vários aspectos. As Três Partes de Grace vai mostrar também que não estamos limitados a ter somente uma família ou amar somente uma mãe ou um pai. Com isso, a autora mostrou a importância de compreender nosso lugar dentro de cada grupo, sabendo que haverão momentos difíceis e felizes.

O tema adoção aqui é trabalhado por Robin Benway de uma forma muito bonita. Como a adoção está presente na vida dos três personagens, conseguimos ver vários lados desse assunto. Ver isso se repetindo na vida de Grace foi transformador para ela e para mim. Consegui compreender seus motivos e suas preocupações. Mais uma vez fica claro, como devemos ter cuidado ao julgar os outros, pois nunca sabemos os reais motivos que levaram as pessoas a tomarem as decisões que tomaram. Isso também me esclareceu que ter uma opinião tão formada sobre o assunto é delicado, mais uma vez ser a favor ou contra de algo tem suas variáveis.

Mesmo com o foco sendo em Grace, a narrativa em terceira pessoa tem o foco intercalado entre os três irmãos. Isso ajuda muito a compreender melhor a vida deles e o que eles pensam sobre a nova situação: o encontro dos três. Além disso, dá para ver de dentro o caminho no qual a vida de cada um seguiu depois que eles foram deixados pela mãe para adoção. A escrita Robin é leve e envolvente, ela soube dosar o drama com as situações mais tranquilas. Apesar de não simpatizar muito com Maya, pois ela é a mais rebelde, eu gostei muito dos três adolescentes. Com essa personagem a autora também vai trabalhar a questão da homossexualidade, o que foi feito de forma muito transparente. Claramente Joaquin é o mais “machucado” dos três, pois teve muitas dificuldades em seu caminho, sua relutância em aceitar amor vindo de todos os lados encheu meu coração de compaixão.

Grace é um amor de menina, delicada, sensível, eu adorei ela. Mostrou-se ser mais forte do que imaginava e a mais dedicada em construir uma relação com os irmãos. A preocupação dela com a bebê e muito bonita e tocante. Ela cresce muito durante a narrativa. É muito interessante ver como cada um deles encara o fato de terem sido deixados para adoção e como encaram a ideia de procurar a mãe biológica. Tudo é concluído em um final muito bonito, que me fez chorar.

Robin Benway me surpreendeu no modo que abordou o assunto adoção ao mostrar que ele pode ter muitos lados, além disso mostrou a importância da família. A leitura de As Três Partes de Grace proporcionou-me um misto de sentimentos e aos poucos me ganhou. Leitura indicada!

  • Far From The Tree
  • Autor: Robin Benway
  • Tradução: Natalie Gerhardt
  • Ano: 2019
  • Editora: Galera Record
  • Páginas: 322
  • Amazon

rela
ciona
dos

Deixe uma resposta para Angela GabrielCancelar resposta

5 Comentários

  • Carolina Santos
    03 março, 2020

    Quando eu fui falar nesse livro pela primeira vez eu achava que a história ia contar uma coisa completamente diferente pelo que eu li na sinopse mas o livro não conseguiu chamar a minha atenção gosto de contar a história da adoção da protagonista mas a história me deixou a desejar como drama

  • ELIZETE SILVA
    27 fevereiro, 2020

    Olá! Tenho certeza que derramarei algumas (muitas) lágrimas na leitura desse livro, o tema é bastante sensível e até complicado de se entender, pois como você disse é muito difícil julgar os motivos de outras pessoas, imagino que vai ser uma jornada incrível, emocionante e reflexiva.

  • Nyttah M.
    23 fevereiro, 2020

    Que capa linda!! Esse livro me remeteu ao seriado “This is us”. A adoção é um gesto lindo, mas acho complicado as questões psicológicas que podem surgir. Principalmente quanto ao abandono (mesmo a nível inconsciente), semelhanças familiares e receio e inseguranças de pais e filhos. Arquétipos culturais ainda são muito potentes na cultura universal; mesmo com as árduas e necessárias tentativas de mudança do “politicamente correto”. Achei interessante a apresentação da historia por outras personagens. Para o entendimento do contexto como um todo, sem ficar preso no viés do “ser adotado” e das noções preconcebidas que adoção acaba trazendo. Wishlist já. .. Junto com os lencinhos…??

  • Veronica Vieira
    19 fevereiro, 2020

    Ja tinha visto outra resenha desse livro, mas não tinha sido tão positiva, e ainda assim me interessei por ele, agora que vi sua resenha, tenho certeza que é o tipo de livro que eu vou gostar. E essa capa é lindissima.

  • Angela Gabriel
    18 fevereiro, 2020

    Ah que delícia de resenha! Tirei esse livro ontem para ser minha leitura da vez, mas acabei me enrolando tanto que não dei início a leitura. Devo começar hoje então(tomara), pois também sou fã de histórias que envolvem famílias, dramas e oh, o tema adoção é tão pouco debatido. Então fiquei feliz em ler que o enredo é assim, leve e pesado, triste e feliz!
    Lerei com muita alegria!!!
    Beijo