Após muitos anos da Segunda Guerra está claro para todo mundo como a participação das mulheres foi importante e diversificada. Muitas mulheres também foram essenciais para o rumo da guerra, e esse é o caso de Virginia Hall, a mulher civil mais condecorada no final da Segunda Guerra Mundial. 

Virginia Hall nasceu no dia 6 de abril de 1906, em Baltimore, nos Estados Unidos. Sabia falar alemão, francês e italiano e depois de completar seus estudos, conseguiu em 1931 um emprego de secretária na embaixada dos Estados Unidos em Varsóvia. Contudo, esse não era seu desejo, ela queria mesmo se candidatar para o exame de ingresso no corpo diplomático.  Por um estranho acontecimento, ela acaba perdendo o prazo do exame. Em 1932, ela acidentalmente atira em sua perna esquerda e os médicos uns dias depois fazem a amputação, o que impossibilita ela de trabalhar no futuro para o serviço diplomático.

Depois de dirigir ambulâncias na França levando soldados feridos, no final de agosto de 1940, sua vida começa a mudar. Ela começa a trabalhar como espiã do Ministério da Guerra britânico, a única mulher do SOE (Executiva de Operações Especiais). Com participação efetiva no rumo da guerra, ela ajudou também a preparar o terreno para que as forças aliadas invadissem a Normandia e a Provença.

Após a guerra, em 1945, Virgínia volta para os Estados Unidos e meses depois está trabalhando no que hoje é a CIA (agência central de inteligência). Muito tristemente ela só foi ter reconhecimento depois dos anos 70 e somente em 1988 seu nome foi postumamente acrescido ao hall da fama dos grupos de inteligência militar.

Glamourosa, mas também autoritária e decidida, ela não podia ter sido uma embaixadora melhor para a causa britânica ou campeã da Resistência: a presença Aliada na França havia sido transformada.

Mais uma história que eu não conhecia envolvendo uma mulher e a Segunda Guerra Mundial, agora com uma presença feminina como espiã. É claro que o livro começa relatando a infância, a adolescência, seu relacionamento com os pais, o começo da carreira de Virginia Hall, e o acidente que a fez perder a perna. Esse fato foi um limitante durante boa parte da vida de Hall e fez com que em muitos momentos ela fosse vista como limitada, até chegar a SOE (Executiva de Operações Especiais) e “mudar para sempre a espionagem e o ponto de vista em relação às mulheres na guerra – e o curso da luta na França”.

Narrado em terceira pessoa por Sonia Purcell, a autora não economiza ao narrar detalhes da vida de Virginia. Para escrever o livro Sonia fez uma vasta pesquisa que foi desde entrevistas com familiares de Virginia e seus colegas da SOE, como leituras de documentos em museus e arquivos franceses sobre esse período. Foi realmente uma jornada através de informações. Se o livro contém um número impressionante de informações sobre o papel da espiã, eu fico imaginando o número de informações que foram coletadas, deve ser absurdo. 

Sonia não foca somente na vida de Virginia e no que ela fez durante a guerra no SOE e depois na CIA, ela conta também o que estava acontecendo com os colegas da espiã e sempre que necessário entra em relatos mais políticos envolvendo o rumo da guerra. Em muitos momentos, a narrativa é cheia de momentos tensos, mas em outros o excesso de informações e detalhes me deixou cansada. 

É impressionante ver tudo que essa mulher conseguiu fazer e o modo como ela conduzia seus colegas e a espionagem. Ela foi responsável pela campanha de sabotagem estratégica da ponte ferroviária em Chamalieres com uma eficácia devastadora; por criar uma maneira de contornar as pontes de Veneza; organizar a fuga de prisão mais bem-sucedida da guerra, do campo de prisioneiros de Mauzac. Esses são só alguns exemplos da imensa contribuição da espia. 

Uma Mulher Sem importância foi eleito um dos melhores livros de 2019 nas categorias Biografia, Memórias e Livros de História pela Amazon e será adaptado para o cinema pela Paramount Pictures, contudo ainda não tem previsão de lançamento. Um livro perfeito para quem gosta de histórias surpreendentes envolvendo mulheres e a segunda guerra mundial.

  • A Woman of No Importance
  • Autor: Sônia Purnell
  • Tradução: Petê Rissatti
  • Ano: 2021
  • Editora: Planeta
  • Páginas: 534
  • Amazon

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