Desde quando Moxie foi lançado, em 2018, eu estava querendo ler o livro. Mas com o lançamento do filme baseado no livro, eu resolvi que ler e assistir seria perfeito. Com um foco na descoberta do feminismo e do debate escolar sobre a diferença entre os gêneros e o comportamento masculino dentro da escola, Moxie é um livro que cumpre o que promete.

Vivian Carter estuda em uma escola repleta de falas e comportamentos machistas, sem falar nos assédios constantes. O diretor da escola não está muito preocupado com esse tipo de atitude em sua escola, inclusive, reforça alguns comportamentos e determina regras a serem seguidas. Óbvio que são voltadas para as meninas. Vivian está cansada desse ambiente, mas ela não sabe bem o que fazer. Ela também precisa lidar com a pressão do que significou a passagem de sua mãe pela mesma escola. Integrante do grupo Riot Grrrls, garotas que lutavam pelo que acreditavam e denunciavam comportamentos tóxicos na escola.

Em um dia de muita revolta, Vivian encontra as coisas da mãe do tempo que ela estava na escola. E assim, inspirada por esses objetos e por essas histórias, ela resolve criar um fanzine feminista para distribuir para as meninas do colégio. O objetivo é incentivar as garotas a reclamar sobre o que estão passando e denunciar as atitudes machistas de um grupo de garotos. Esse fanzine acaba sendo o responsável pela aproximação de muitas meninas. Outros fanzines vão ser distribuídos, comportamentos vão ser colocados em xeque e amizades vão ser construídas. 

Tem uma palavra meio antiguinha em inglês que descreve bem o que ela sentia: moxie. Fúria, ousadia.

Eu gostei desse livro por vários motivos. Primeiro foi por trazer uma realidade encontrada em muitos livros do gênero, adolescentes no high school, mas com um debate feminista na trama. Estamos falando de adolescentes que estudam naquelas típicas escolas americanas, com seus grupinhos e os meninos mais importantes da escola, os jogadores de futebol. Normalmente, eles são representados como os mais escrotos da escola. O positivo aqui é que não temos muita maldade feminina apresentada, o que normalmente também encontramos nesse tipo de leitura. 

A partir do momento em que os fanzines começam a ser produzidos, percebemos o movimento das meninas, que aos poucos vão se identificando e se encontrando. Há para cada fanzine e para cada menina uma discussão em jogo. Nem tudo é aprofundado como eu gostaria, mas fiquei muito feliz da forma natural como as problemáticas aparecem. Isso pra mim já é muito importante, pois esse é o tipo de livro que quero que minha filha leia quando for adolescente. 

A revolução feminista no colégio vai além do que Vivian imaginava e ela acaba ganhando muitas amigas. O assunto da amizade também vira pauta, principalmente na relação de Vivian e sua melhor amiga, Cláudia. Outro ponto positivo é o papel do amigo homem na treta toda. Achei muito legal como a autora mostrou como o homem pode ajudar as lutas feministas e qual é seu papel como homem feminista. Percebemos uma evolução em Vivian, que começou bem tímida na trama, se escondendo como criadora do fanzine e vai aos poucos evoluindo e aprendendo com as outras meninas do colégio. A relação com sua mãe também é um tema trabalhado pela autora. Mesmo que as outras garotas não tenham uma centralidade, dá para perceber que todas aprendem e evoluem com os acontecimentos.

Para finalizar todos meus elogios, o livro está muito legal na parte gráfica, pois há os fanzines e mensagem de texto. Eu adoro isso em livros. Moxie é um livro que apresenta adolescentes e seus primeiros movimentos feministas. Uma leitura simples que tem a sororidade como base da trama. Recomendadíssimo!

  • Moxie
  • Autor: Jennifer Mathieu
  • Tradução: Ana Gudalupe
  • Ano: 2021
  • Editora: Verus
  • Páginas: 288
  • Amazon

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