Se você só gosta de leituras com respostas claras no final, esse livro não é para você.
Não Perturbe a Floresta é uma fantasia de terror com elementos sobrenaturais em volume único, lançado pela editora Plataforma21 em 2025.
A história acompanha Andrew Perrault, um jovem com muita insegurança e introspectivo, que só se sente a vontade ao lado de sua irmã gêmea e no seu melhor amigo. Ele também escreve contos sombrios, que ganham vida através dos desenhos de Thomas Rye, seu melhor amigo e paixão secreta.
Falando um pouco sobre Thomas, ele é o completo oposto de Andrew, popular, carismático… mas as coisas mudam quando seus pais desaparecem misteriosamente e ele retorna a escola completamente mudado.

É assim que Andrew acaba perseguindo Thomas até a floresta proibida que cerca a escola, para onde o amigo vai todas as noites. O que Andrew não esperava descobrir, é um fenômeno perturbador: os monstros que Thomas desenha ganham vida na floresta e começam a cometer assassinatos reais. A medida que isso perde o controle, Andrew e Thomas acabam adentrando mais nesta floresta, nos segredos que os rondam e nos sentimentos que os perseguem.
Não Perturbe a Floresta é um dark academia young adult, com um climinha de terror psicológico digno de cinema independente, sabe? Daqueles filmes bons que a gente não entende por que não ganhou mais hype. A todo momento aqui o leitor é questionado sobre o que é real e o que é imaginação dos personagens. Constantemente seremos confrontados pelo medo do desconhecido e também a forma como essa realidade acaba se misturando com os conflitos internos dos personagens.
A relação de Andrew e Thomas personagens não é das mais saudáveis, existe uma coodependência mutua, como se um fosse a extensão do outro, ao ponto da gente até questionar se é uma relação toxica ou não. Temas como luto, identidade e distúrbios emocionais são latentes aqui. Tudo isso misturado a arte, não só na forma que Andrew e Thomas se expressam neste mundo, através da escrita e do desenho, mas também pela forma poética que é a escrita de CG Drews.

A floreta compondo o time de personagens na trama com certeza é um diferencial, que não só serve como um cenário sombrio, mas se alinha como uma força viva, que se apossa e preenche os personagens. E aqui, como uma floresta densa, crescendo sem controle, temos uma analogia sobre nossas próprias mentes.
É um livro totalmente emocional e ousado, que é muito descritivo, mas ao mesmo tempo fala apenas entrelinhas. Um exemplo claro sobre isso é o desfecho, que pode agradar muito ou desagradar a maioria. Não é um final que vai trazer respostas claras, a ambiguidade aqui é proposital, que revela um desfecho muito mais emocional, do que satisfatório.
A correlação que Drews faz com os monstros criados por Thomas com os monstros de nossas cabeças é fantástica. Lidamos, diariamente, não com monstros famintos e violentos, como os do livro, mas monstros que podem igualmente deturpar a nossa realidade. O tom melancólico deste debate e flerte com temas que abordam distúrbios psicológicos foi um contraponto bastante interessante para mim, do qual Drews insere muito bem na sua história.
Não Perturbe a Floresta é inquietante e assim como nossa mente, a floresta criada por Drews também é cheia de segredos, essa é uma leitura que você ficará pensando por horas sobre o que você acabou ler. É um livro com camadas, cheio de interpretações e que desperta do leitor aquilo que a gente mais ama, o desafio que é fazer parte da história, que mistura terror e drama, mas que traz relações intensas.

- Don't Let the Forest In
- Autor: CG Drews
- Tradução: Carlos César da Silva
- Ano: 2025
- Editora: Plataforma21
- Páginas: 288
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