Meu primeiro contato com Arsène Lupin, célebre personagem da literatura francesa criado pelo escritor Maurice Leblanc, foi através da série da Netflix intitulada “Lupin”. A série retrata Assane Diop, um cativante e sagaz  ladrão que se utiliza das histórias do personagem Arsène Lupin para concretizar seus golpes, que têm por trás um objetivo muito maior do que poderia parecer à primeira vista. A série me cativou não só pela vontade de descobrir o que iria acontecer dentro dos planos executados pelo personagem principal, mas também pelo bom humor e esperteza de Diop. Extremamente cativante, Diop nos faz torcer por ele e pela realização de seu objetivo final.

Neste contato com a série, pude aprender muito sobre Arsène Lupin, que compartilha muitas das características de Assane Diop: trata-se também da figura de um ladrão que evita violência, e que comete seus golpes baseando-se em sua esperteza e carisma. Foi o fascínio por esse personagem que me levou a querer ler os livros nos quais ele era protagonista. Vale ressaltar que as aventuras de Arsène Lupin foram originalmente publicadas na revista francesa “Je sais tout” a partir do ano de 1905, sendo posteriormente compiladas em livros, sendo o primeiro volume intitulado “Arsène Lupin: O Ladrão de Casaca”. Trata-se de um livro curto, composto por nove contos que devem ser lidos em ordem para melhor compreensão da história e para acompanhar a construção do personagem principal feita pelo autor.

A experiência de ler “Arsène Lupin: O Ladrão de Casaca” foi tão divertida e intrigante quanto eu esperava ser. São contos curtos, que te convidam para lê-los rapidamente e tentar decifrar os mistérios propostos pelas histórias, e se divertir enquanto faz isso. Nesse sentido, embora eu tenha conseguido decifrar uma ou outra charada mais fácil, muitas delas foram imprevisíveis até o final, e nestas não consegui parar de ler até terminar o conto e entender tudo que estava em jogo. Temos como presença constante nos contos a ideia de que Lupin é o maior ladrão da França, que ninguém sabe quem é, de onde veio e qual sua história, e que vive enganando a polícia e, em especial, o inspetor Ganimard, encarregado de decifrar os golpes de Lupin, encontrá-lo, e prendê-lo. A relação desenvolvida entre Lupin e Ganimard é um ponto interessante de se observar na história, já que há um respeito singular desenvolvido entre os dois, apesar da situação em que se encontram, de um precisar prender o outro. 


Durante a leitura, senti que os contos foram apenas ficando melhores conforme o livro se desenvolvia. No último conto ainda temos a ilustre presença do detetive Herlock Sholmes, que apareceu para decifrar um caso no qual Lupin estava envolvido, e que representava o famoso personagem britânico Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle. O personagem tinha seu nome tal como no original nas primeiras versões dos contos de Lupin, porém, após reclamação de Conan Doyle, teve seu nome ligeiramente alterado. A interação inicial entre Arsène Lupin e Herlock Sholmes apresentou uma divertida disputa de intelectos brilhantes, mas com objetivos opostos e conflitantes, gerando situações inéditas e interessantes.

Cabe ainda destacar a edição na qual li, da editora Livrarias Família Cristã. Custando apenas R$ 8,90 no site da editora no momento da publicação, esta edição de “Arsène Lupin: O Ladrão de Casaca” conta com capa dura e com fitilho. Apesar das páginas de gramatura aparentemente fina, trata-se de um bom custo-benefício para quem deseja uma edição extremamente acessível e bonita desta história. Vale a pena apontar, no entanto, que percebi alguns poucos e pequenos erros gramaticais em alguns contos, que espero que sejam corrigidos em edições futuras.

Por fim, vale dizer que recomendo a leitura destes contos para públicos diversos: para quem quer começar a ler livros de mistério, para fãs de Sherlock Holmes e Agatha Christie, para quem gostou da série Lupin, para quem quer sair de uma ressaca literária, ou para quem simplesmente quer ler um livro curto, divertido e instigante. 

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