Resenha: Como Eu Imagino Você

Título Original: Como Eu Imagino Você
Autor: Pedro Guerra
Ano: 2017
Editora: Gutenberg
Páginas: 190
Amazon - Saraiva

Helena é uma jovem de 18 anos que tem uma doença rara nos olhos. Ela só tem a visão periférica, mesmo assim bastante prejudicada. A história é narrada por ela, que começa revelando que tem sonhos recorrentes com um garoto misterioso que ela não consegue enxergar o rosto. Esse será um mistério que ela tentará desvendar ao longo do livro.

Apesar da deficiência, a personagem tem uma vontade muito grande de ser independente. Eis que, os seus pais precisam viajar a trabalho e essa é a oportunidade que Helena vê de mostrar que consegue se virar sozinha. As coisas ficam um pouco mais tumultuadas quando a mãe da menina diz que contratou uma pessoa para cuidar do jardim nesse período. Imagina, receber um estranho em sua casa, ainda mais sem enxergar direito?

Helena irá descobrir junto com a ajuda de seus amigos que os seus sonhos podem ser muito mais do que ela imagina e apesar de saber que, em breve,  não enxergará mais nada à sua frente, ela pode ver muito além de qualquer outra pessoa.

Como Eu Imagino Você é uma literatura juvenil nacional de Pedro Guerra e em menos de 200 páginas, o autor consegue construir uma história muito envolvente, recheada de mistérios e cenas românticas de fazer o coração parar. Achei muito legal ver que o Pedro Guerra utilizou uma voz feminina para contar a história. Normalmente, os autores preferem usar personagens do seu mesmo gênero ou desenvolver a escrita em terceira pessoa. Como eu tenho uma capacidade maravilhosa de esquecer as sinopses dos livros, me vi surpreendida ao notar isso nas primeira páginas.

"O mundo é cego. Ninguém se importa com a história dos outros. Somos todos videntes para aquilo que nos importa e só isso."

Resenha: Não Me Abandone Jamais

Título original: Never Let Me Go
Autor: Kazuo Ishiguro
Ano: 2017
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 343

Kathy H. cresceu, estudou e passou toda sua infância no internato para crianças especiais, reconhecido em todo o mundo por seus métodos únicos e sua filosofia alternativa. Toda e qualquer criança proveniente dos outros internatos espalhados pelo país admitem a sorte que Kathy e seus amigos tiveram. 

Mesmo com o fechamento de Hailsham e o fato de que com o encerramento das atividades da instituição seus idealizadores não são mais vistos com facilidade, a época vivida no internato ainda é uma das memórias mais queridas e agradáveis na mente da cuidadora que, com trinta e um anos, está prestes a encerrar suas atividades e partir para o trabalho de doadora.

A personagem nos apresenta sua vida com delicadeza, sutileza e simplicidade. Aos poucos, descobriremos que todos os seus melhores amigos já não existem, foram levados pelo árduo caminho dos doadores. Com tempo e cuidado, a personagem cria uma aura de mistério com relação a todas as crianças provenientes de Hailsham, nos faz indagar quanto ao propósito de suas vidas em uma sociedade que, apesar de reconhecer sua existência, parece não compreender como realmente tratá-las. Além disso, com uma simplicidade e adorável reflexão, descobriremos a magia, dores e alegrias do amadurecimento.
"Porque no fundo não importa quão bem seus guardiões tentem prepará-lo: todas as conversas, todos os vídeos, debates, avisos, nada disso consegue, de fato, deixar as coisas bem claras, transparentes."

Resenha: Como Falar com Garotas em Festas

Título original: How to Talk to Girls at Parties
Autor: Neil Gaiman
Arte: Fábio Moon e Gabriel Bá
Ano: 2017
Editora: Quadrinhos da Companhia
Páginas: 80

Inspirada em um conto de Neil Gaiman e maravilhosamente ilustrada pelos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, Como Falar com Garotas em Festas transformou-se na melhor HQ que tive a chance de conhecer até o momento, ao longo desse ano de 2017.

Com o traço típico dos gêmeos, e uma coloração apaixonante, capaz de nos fazer viajar pelas 80 páginas dessa história encantadora e instigante, aquilo que poderia ser apenas uma história “confusa” como declararam alguns, ganha em movimento, metáforas e reflexões sobre o crescimento e – espero não estar divagando aqui – a própria feminilidade.

Apesar da leitura rápida e da pouca quantidade de páginas, além da premissa que, ao olhar desatento pode parecer simples, a obra destaca elementos que vão além do ato de conversar e estabelecer uma conexão com indivíduos do sexo feminino em festas. Aqui acompanharemos a trajetória, ao longo de um único dia, de Enn e seu amigo Vic, que foram convidados para uma festa onde diversas garotas, provenientes dos mais diversos cantos do mundo, irão apresentar aos dois amigos a maturidade que eles ainda estavam por descobrir e alcançar, além de um poético universo feminino, nunca antes explorado da forma como aqui seremos capazes de presenciar.

"Você não gostaria de deixar um universo bravo. Eu aposto que um universo bravo te encararia com olhos como aqueles."

Encontro de Livreiros e Blogueiros da Cia. das Letras


Essa foi a primeira vez que fui em um evento para livreiros e blogueiros organizado pela Companhia das Letras. Eu fiquei impressionada com organização e a recepção da equipe. Diferente dos eventos que já fui de outras editoras, a Cia das Letras tinha uma lista na porta com o nome de todos os confirmados e ali mesmo aproveitavam para dar o Kit - e durante o evento ainda teve sorteio de outras cortesias. A editora também disponibilizou uma linda mesa de café que tinha opções deliciosas.

Luciana, diretora comercial, e Lília, gerente de marketing foram quem conduziram a maior parte do evento. Achei bem interessante, eles terem optado por iniciar o evento apresentando alguns números. Como o evento também é destinado aos livreiros também, algumas informações compartilhadas eram muito importantes. Mas, no geral, mesmo para os blogueiros, esse tipo de informação é muito interessante para termos uma noção melhor do mercado literário.

Um dos números apresentados que acho interessante trazer para os leitores do Estante Diagonal é que o mercado literário subiu para mais 2% e a Cia das Letras subiu mais de 9%, mesmo em meio a crise que estamos passando. Outro número que me surpreendeu é que 82% das vendas da editora são do catálogo - livros publicados há mais de um ano.

Liga da Justiça - Crítica

Justice League

Lançamento: 16 de novembro de 2017
Elenco: Ben Affleck, Gal Gadot, Ezra Miller, Ray Fisher, Jason Mamoa
Gênero: Ação

Tempos escuros acompanham Metrópolis e isso é só um dos efeitos colaterais após morte do Superman. Depois de milhares de anos, três artefatos, protegidos pelas amazonas, atlantianos e humanos, despertaram e uma vez unidos o portador delas ganhara não só o poder de criar, mas também o de destruir. É assim que ressurge um grande vilão da humanidade. Diana Prince (Gal Gadot), assim como Bruce Wayne (Ben Affleck) sabem o mal que os espreitam e juntos, resolvem recrutar ajuda, unir um grupo de meta-humanos capazes de combater o perigo. Mas seriam Flash (Ezra Miller), Cyborg (Ray Fisher) e Aquaman (Jason Mamoa) suficientes para salvar o planeta de mais um ataque?

Comparações entre DC e Marvel são quase impossíveis de serem evitadas, o que fortalece ainda mais a divisão dos fandons atualmente. Porém, em minha crítica, devo dizer que tentar separar estes dois universos foi uma tarefa bastante difícil, visto que depois do afastamento do Zack Snyder, devido a problemas pessoas, mas que continua sendo creditado no filme, Liga da Justiça tenha recebido reforços de Joss Whedon, roteirista e diretor também de Vingadores e Thor - O Mundo Sombrio.

Após alguns tropeços da DC, finalmente o estúdio conseguiu entregar algum material digno aos seus fãs pós Mulher Maravilha, que na minha opinião, continua sendo o melhor filme do estúdio. De antemão, aviso que Liga da Justiça ainda tem muito a aprender com a fórmula criada pela Marvel, porém é com grande satisfação que digo que é possível ter uma nova perspectiva no futuro da DC. Créditos sem dúvidas de Joss, que trouxe (talvez) uma grande bagagem dos anos que trabalhou na Marvel.