Resenha: Como Falar com Garotas em Festas

Título original: How to Talk to Girls at Parties
Autor: Neil Gaiman
Arte: Fábio Moon e Gabriel Bá
Ano: 2017
Editora: Quadrinhos da Companhia
Páginas: 80

Inspirada em um conto de Neil Gaiman e maravilhosamente ilustrada pelos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, Como Falar com Garotas em Festas transformou-se na melhor HQ que tive a chance de conhecer até o momento, ao longo desse ano de 2017.

Com o traço típico dos gêmeos, e uma coloração apaixonante, capaz de nos fazer viajar pelas 80 páginas dessa história encantadora e instigante, aquilo que poderia ser apenas uma história “confusa” como declararam alguns, ganha em movimento, metáforas e reflexões sobre o crescimento e – espero não estar divagando aqui – a própria feminilidade.

Apesar da leitura rápida e da pouca quantidade de páginas, além da premissa que, ao olhar desatento pode parecer simples, a obra destaca elementos que vão além do ato de conversar e estabelecer uma conexão com indivíduos do sexo feminino em festas. Aqui acompanharemos a trajetória, ao longo de um único dia, de Enn e seu amigo Vic, que foram convidados para uma festa onde diversas garotas, provenientes dos mais diversos cantos do mundo, irão apresentar aos dois amigos a maturidade que eles ainda estavam por descobrir e alcançar, além de um poético universo feminino, nunca antes explorado da forma como aqui seremos capazes de presenciar.

"Você não gostaria de deixar um universo bravo. Eu aposto que um universo bravo te encararia com olhos como aqueles."

Encontro de Livreiros e Blogueiros da Cia. das Letras


Essa foi a primeira vez que fui em um evento para livreiros e blogueiros organizado pela Companhia das Letras. Eu fiquei impressionada com organização e a recepção da equipe. Diferente dos eventos que já fui de outras editoras, a Cia das Letras tinha uma lista na porta com o nome de todos os confirmados e ali mesmo aproveitavam para dar o Kit - e durante o evento ainda teve sorteio de outras cortesias. A editora também disponibilizou uma linda mesa de café que tinha opções deliciosas.

Luciana, diretora comercial, e Lília, gerente de marketing foram quem conduziram a maior parte do evento. Achei bem interessante, eles terem optado por iniciar o evento apresentando alguns números. Como o evento também é destinado aos livreiros também, algumas informações compartilhadas eram muito importantes. Mas, no geral, mesmo para os blogueiros, esse tipo de informação é muito interessante para termos uma noção melhor do mercado literário.

Um dos números apresentados que acho interessante trazer para os leitores do Estante Diagonal é que o mercado literário subiu para mais 2% e a Cia das Letras subiu mais de 9%, mesmo em meio a crise que estamos passando. Outro número que me surpreendeu é que 82% das vendas da editora são do catálogo - livros publicados há mais de um ano.

Liga da Justiça - Crítica

Justice League

Lançamento: 16 de novembro de 2017
Elenco: Ben Affleck, Gal Gadot, Ezra Miller, Ray Fisher, Jason Mamoa
Gênero: Ação

Tempos escuros acompanham Metrópolis e isso é só um dos efeitos colaterais após morte do Superman. Depois de milhares de anos, três artefatos, protegidos pelas amazonas, atlantianos e humanos, despertaram e uma vez unidos o portador delas ganhara não só o poder de criar, mas também o de destruir. É assim que ressurge um grande vilão da humanidade. Diana Prince (Gal Gadot), assim como Bruce Wayne (Ben Affleck) sabem o mal que os espreitam e juntos, resolvem recrutar ajuda, unir um grupo de meta-humanos capazes de combater o perigo. Mas seriam Flash (Ezra Miller), Cyborg (Ray Fisher) e Aquaman (Jason Mamoa) suficientes para salvar o planeta de mais um ataque?

Comparações entre DC e Marvel são quase impossíveis de serem evitadas, o que fortalece ainda mais a divisão dos fandons atualmente. Porém, em minha crítica, devo dizer que tentar separar estes dois universos foi uma tarefa bastante difícil, visto que depois do afastamento do Zack Snyder, devido a problemas pessoas, mas que continua sendo creditado no filme, Liga da Justiça tenha recebido reforços de Joss Whedon, roteirista e diretor também de Vingadores e Thor - O Mundo Sombrio.

Após alguns tropeços da DC, finalmente o estúdio conseguiu entregar algum material digno aos seus fãs pós Mulher Maravilha, que na minha opinião, continua sendo o melhor filme do estúdio. De antemão, aviso que Liga da Justiça ainda tem muito a aprender com a fórmula criada pela Marvel, porém é com grande satisfação que digo que é possível ter uma nova perspectiva no futuro da DC. Créditos sem dúvidas de Joss, que trouxe (talvez) uma grande bagagem dos anos que trabalhou na Marvel.

Resenha: No Seu Pescoço

Título Original: The Thing Around Your Neck
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Ano: 2017
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 240
Amazon - Saraiva

No Seu Pescoço foi o meu primeiro contato com a escrita da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, uma coletânea de doze contos. Acredito que a maioria das pessoas a conheça pelo ensaio Sejamos Todos Feministas, que também foi publicado pela Companhia das Letras. Ela também é autora de três romances premiados: Meio Sol Amarelo (adaptado para os cinemas em 2013), Hibisco Roxo e Americanah

O título, No Seu Pescoço, faz referência a um dos contos presente nesse livro. Ele conta a história de uma jovem nigeriana que tem a oportunidade de ir viver nos Estados Unidos. Em terras americanas, ela precisa se adaptar a nova realidade que está muito distante do que a sua família ainda vive em sua terra natal. Ela precisa lidar com o preconceito e um relacionamento inesperado com um americano branco, que nunca vai entender o que ela realmente sente. O mais fascinante é a forma como Chimamanda nos transforma na personagem durante a leitura, utilizando uma narrativa em segunda pessoa com o pronome "você".

"Você pensava que todo mundo nos Estados unidos tinha um carro e uma arma; seus tios, tias e primos pensavam o mesmo. Logo depois de você ganhar a loteria do visto americano, eles lhe disseram: daqui um mês, você vai ter um carro grande."

Resenha: O Livro dos Espelhos

Título Original: The Book of Mirrors
Autor: E. O. Chirovici
Ano: 2017
Editora: Record
Páginas: 322

Quando Peter Katz, um agente literário, recebe um manuscrito que promete revelar informações ocultas de um assassinato não resolvido ocorrido há 25 anos, ele fica acima de tudo, intrigado e sente a necessidade de ir atrás da verdade e ver se quem lhe mandou aquilo realmente existe. Uma trama de ciúme, possessividade, amor, mistério e uma história muito mal contada. É isso que encontramos em O Livro dos Espelhos.

O manuscrito recebido pelo agente acaba abruptamente, ele vai atrás então do escritor daquele relato, mas descobre que ele está morto, Katz tinha chegado até ele tarde demais. No manuscrito que recebera, o escritor tinha informado que o resto da história já estava pronta, que daria a ele assim que ele conseguisse uma editora para fazer a publicação de todo real enredo.

O livro inicia com Peter Katz recebendo o manuscrito de um ex-aluno de Princeton, lhe contando que sabia sobre o assassinato de um famoso professor, ocorrido há mais de 20 anos, e com uma solução conveniente, mas pouco convincente na época. Ele diz que revelará a verdadeira identidade do assassino assim que Katz lhe mostrar que conseguiu uma editora para a publicação de seus escritos, após isso, ele também irá revelar o restante do manuscrito.

"Alguém disse, certa vez, que o início e o fim de uma história não existem. São só instantes escolhidos subjetivamente por um narrador para permitir que o leitor possa observar um acontecimento que começou um tempo antes e terminará um tempo depois."